O Ibovespa fechou em forte alta nesta terça-feira (23), avançando 1,46%, aos 160.455 pontos, e recuperando as perdas da sessão anterior. O movimento foi sustentado por um alívio no noticiário político doméstico e pela leitura de dados de inflação dentro do esperado, em um ambiente externo mais construtivo.
Ao longo do pregão, o principal índice da B3 oscilou entre a mínima de 158.143,85 pontos e a máxima de 160.456 pontos, praticamente repetindo o pico do dia no fechamento. O volume financeiro somava R$ 18,9 bilhões antes dos ajustes finais, em sessão marcada por retomada do apetite por risco.
No mercado de câmbio, o real ganhou força e o dólar comercial recuou 0,95%, encerrando o dia cotado a R$ 5,5313. Apesar da queda, a moeda norte-americana ainda acumula valorização de 10,48% no ano. Já no mercado futuro, o contrato de dólar para janeiro — o mais negociado na B3 — caiu 1,08%, a R$ 5,5375.
O tom mais positivo do pregão resistiu praticamente intacto à divulgação do IPCA-15 de dezembro. A prévia da inflação oficial subiu 0,25% no mês, após alta de 0,20% em novembro, segundo o IBGE. O resultado veio ligeiramente abaixo da mediana das projeções colhidas pela Reuters, que apontava avanço de 0,27%, reforçando a percepção de desaceleração gradual dos preços.
No exterior, as bolsas de Nova York também encerraram o dia em alta, ainda que com desempenho mais contido do que o observado no mercado brasileiro, em função da liquidez reduzida. O dado que ajudou a sustentar o humor foi o crescimento de 4,3% do PIB dos Estados Unidos no terceiro trimestre de 2025, acima das expectativas e do resultado do trimestre anterior. A leitura reforçou a tese de um “soft landing” da economia americana e ajudou a calibrar as apostas para os próximos passos do Federal Reserve.
No mercado doméstico, o Ibovespa avançou apesar da performance mais fraca das ações da Petrobras, impactadas por ajustes relacionados à nova carteira teórica do índice, e de um movimento de realização nos papéis da Vale após a sequência recente de ganhos.
Entre os grandes bancos, o desempenho foi amplamente positivo. Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 1,64%, Bradesco (BBDC4) subiu 0,93% e Banco do Brasil (BBAS3) ganhou 2,11%. Santander Brasil (SANB11) teve destaque, com alta de 4,41%, na esteira da aprovação, na véspera, do pagamento de R$ 620 milhões em juros sobre capital próprio.
No varejo e educação, o recuo dos juros futuros favoreceu uma recuperação mais expressiva. C&A Modas (CEAB3) disparou 6,39%, liderando os ganhos do índice. Lojas Renner (LREN3) subiu 3,59%, Magazine Luiza (MGLU3) também figurou entre as maiores altas, com valorização de 3,34%, após anunciar aumento de capital de R$ 400 milhões por meio de bonificação de ações.
Já a Vale (VALE3) encerrou praticamente estável, refletindo o recuo dos futuros do minério de ferro na China, enquanto Petrobras (PETR4) avançou 0,19% e Petrobras ON (PETR3) teve leve alta de 0,08%, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional.
O desempenho da sessão confirmou um movimento de recomposição de posições após o estresse recente, com investidores reagindo a sinais de menor pressão inflacionária e a um ambiente externo mais favorável ao risco.