Ibovespa recua em dia de tensão política e dólar em disparada

Ibovespa cai aos 158 mil pontos, enquanto dólar supera R$ 5,58
Germano Lüders
Germano Lüders

O Ibovespa encerrou a sessão desta segunda-feira em queda de 0,21%, aos 158.141,65 pontos, com perda de 338,79 pontos. O movimento refletiu a combinação de saída de recursos do mercado local, piora do ambiente político e pressão no câmbio e nos juros futuros.

O dólar comercial teve forte alta e avançou mais de 1,00%, encerrando o dia a R$ 5,584, enquanto os DIs (juros futuros) subiram por toda a curva, em sinal claro de maior aversão ao risco.

Política pesa no humor do mercado

O principal vetor de desconforto para os investidores foi o cenário político. A expectativa de parte do mercado por uma alternativa mais palatável para a disputa presidencial perdeu força, com a consolidação de Flávio Bolsonaro como candidato da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso por tentativa de golpe de Estado, fator que adiciona incerteza institucional ao horizonte eleitoral.

A leitura predominante entre agentes financeiros é de que o quadro político tende a manter elevado o prêmio de risco exigido pelos investidores, especialmente no curto e médio prazos.

Expectativas econômicas e dados domésticos

No campo econômico, a Pesquisa Firmus, do Banco Central, mostrou uma melhora nas projeções de empresários para a inflação em 2025 e 2026, em linha com o movimento observado mais cedo no Boletim Focus. A confiança do consumidor, medida pela Fundação Getulio Vargas, também apresentou avanço em dezembro, com destaque para a melhora entre as famílias de menor renda.

Para o governo federal, o noticiário foi positivo. A arrecadação registrou crescimento real próximo de 4% e já soma R$ 2,59 trilhões em 2025, reforçando o caixa do Tesouro e dando algum alívio às contas públicas, ainda que não seja suficiente para dissipar as preocupações fiscais do mercado.

Desempenho das ações

Entre os destaques do pregão, a Vale (VALE3) teve forte alta de 2,92%, sustentada pelo desempenho positivo do minério de ferro no mercado internacional, o que ajudou a limitar uma queda mais acentuada do Ibovespa.

A Petrobras (PETR4) também fechou no campo positivo, com avanço de 0,29%, beneficiada pela forte valorização do petróleo no exterior. A estatal ainda acompanhou os desdobramentos da paralisação dos petroleiros, que ao longo do dia sinalizaram para o fim da greve.

O setor bancário teve desempenho misto e sem brilho. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 0,65% e Bradesco (BBDC4) recuou 1,41%. Itaú Unibanco (ITUB4) passou o dia oscilando e conseguiu encerrar com leve alta de 0,20%, enquanto Santander (SANB11) avançou 1,05%.

Na outra ponta, o varejo voltou a sofrer com o ambiente de juros elevados e maior cautela do consumidor. Magazine Luiza (MGLU3) recuou 2,81%, enquanto Lojas Renner (LREN3) perdeu 3,47%.

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