O Ibovespa iniciou a semana no negativo e registrou a maior queda desde 10 de outubro, ao recuar 0,47%, para 156.992,93 pontos, uma perda de 745,76 pontos. O movimento seguiu a onda de aversão ao risco no exterior, que acabou neutralizando sinais mais construtivos no cenário doméstico.
O dólar comercial voltou a ganhar força contra o real, subindo 0,66%, a R$ 5,331, enquanto os juros futuros avançaram em toda a curva, refletindo a cautela global antes de uma semana carregada de eventos.
Sinal dos EUA não anima
O pregão começou ainda sob o impacto do anúncio feito no fim da sexta-feira (14), quando o presidente dos EUA, Donald Trump, publicou um decreto retirando tarifas de 10% sobre 238 produtos — entre eles carne bovina, café, bananas e tomates. O alívio, porém, é parcial: a sobretaxa de 40% permanece sobre a maior parte dos itens exportados pelo Brasil.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que segue confiante em “corrigir distorções” e destacou que os EUA mantêm superávit comercial com o país. Mesmo assim, o gesto não foi suficiente para alterar o humor dos mercados.
Em Wall Street, o clima segue pesado. Investidores reduziram exposição à espera do balanço da Nvidia, que será divulgado na quarta-feira (19), e dos indicadores econômicos americanos, incluindo o payroll desta quinta (20). O temor de novos sinais de atividade forte, que poderiam adiar cortes de juros, derrubou também as bolsas europeias.
Sinais melhores no Brasil
No campo doméstico, o Boletim Focus trouxe um dado relevante: pela primeira vez, as projeções para o IPCA de 2025 caíram abaixo do teto da meta — um elemento que tende a animar parte do mercado de renda fixa.
Na bolsa, porém, o dia foi de volatilidade. A Vale (VALE3) até chegou a operar boa parte da sessão no campo positivo, seguindo a valorização do minério de ferro na China, mas virou ao final e terminou em –0,08%.
A Petrobras PN (PETR4) avançou 0,55%, mas bem abaixo da máxima do dia, acompanhando o petróleo, que recuou. A estatal anunciou nova descoberta na Bacia de Campos, com óleo leve e em profundidade considerada favorável — notícia que sustentou algum entusiasmo. A ON (PETR3) também acompanhou o movimento.
A Embraer (EMBR3) ganhou 0,95%, impulsionada por novas encomendas que reforçam o momento comercial positivo da companhia.
Setor de saúde tenta reação e frigoríficos seguem firmes
Depois de uma semana extremamente negativa, Hapvida (HAPV3) subiu 1,18%, em uma leve recomposição, embora analistas destaquem que alguns fundos ainda digerem as fortes perdas acumuladas.
No setor de proteínas, o sentimento permanece favorável. Minerva (BEEF3) avançou 1,99%, enquanto MBRF (MBRF3) saltou 4,92%. Analistas ressaltaram que a redução parcial de tarifas anunciada por Trump não chega a mudar o quadro, mas representa uma sinalização relevante. O JPMorgan reiterou recomendação de compra para MBRF, destacando desempenho acima das expectativas.
Já a Rumo (RAIL3) liderou as perdas do índice, caindo 9,08%, com analistas atentos às discussões sobre preços de frete.
Bancos pesam e puxam o índice para baixo
O fator decisivo da queda do Ibovespa veio do financeiro. Bradesco (BBDC4) caiu 0,77%, Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 0,74% e Santander (SANB11) perdeu 0,86%. Apenas o Banco do Brasil (BBAS3) escapou do negativo, com leve alta de 0,27%, mas insuficiente para contrabalançar o peso do setor.
Semana será guiada pela cautela
Com o mercado global à espera do balanço da Nvidia e do payroll, o cenário deve permanecer defensivo. No Brasil, a semana será encurtada pelo feriado, o que tende a reduzir a liquidez e reforçar movimentos de proteção.