Ibovespa rompe 166 mil pontos pela primeira vez e fecha em novo recorde histórico

Alívio nos EUA, balanços fortes e ambiente externo favorável impulsionam mercado brasileiro
Germano Lüders
Germano Lüders

O Ibovespa viveu um pregão histórico nesta quinta-feira (15). Pela primeira vez desde a criação do índice, a Bolsa brasileira ultrapassou a marca dos 166 mil pontos, ao atingir, na máxima do dia e de todos os tempos, 166.069,84 pontos. Na reta final dos negócios, houve desaceleração do ritmo, mas ainda assim o índice encerrou a sessão em alta de 0,26%, aos 165.568,32 pontos, com ganho de 422,34 pontos e no maior patamar de fechamento já registrado.

No mercado de câmbio, o real também apresentou valorização, após três sessões consecutivas de recuo. O dólar comercial caiu 0,65% e encerrou cotado a R$ 5,367. Já os juros futuros mantiveram o movimento observado na véspera, com altas ao longo de toda a curva de DIs.

Alívio institucional nos EUA melhora o humor global

Parte relevante do bom desempenho dos mercados esteve ligada ao cenário externo, especialmente nos Estados Unidos. O embate recente entre o presidente Donald Trump e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ganhou novo capítulo nesta quinta-feira, com Trump afirmando que não planeja mais demitir o chefe do banco central norte-americano. A declaração foi recebida com alívio por investidores, tanto em Wall Street quanto em outros mercados globais.

Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o anúncio reduz a percepção de um choque institucional imediato nos EUA e traz maior previsibilidade para a condução da política monetária americana. Esse ambiente mais estável ajuda a ancorar expectativas sobre juros globais e favorece o fluxo de capital para mercados emergentes, como o Brasil, ao diminuir a aversão ao risco.

Temporada de balanços reforça o apetite por risco

Além do alívio institucional, Wall Street seguiu atenta à temporada de balanços do quarto trimestre de 2025, que segue em ritmo intenso. O mercado reagiu positivamente aos resultados de grandes bancos norte-americanos. O Goldman Sachs registrou lucro de US$ 4,38 bilhões, impulsionado por operações de fusões e aquisições e pelo desempenho do trading, enquanto o Morgan Stanley lucrou US$ 4,39 bilhões, superando as projeções dos analistas.

O setor de tecnologia também contribuiu para o bom humor, com destaque para as ações de chips, beneficiadas pelo balanço robusto da Taiwan Semiconductor. Esse conjunto de fatores ajudou a sustentar o ambiente positivo que se refletiu diretamente no mercado brasileiro.

Blue chips mistas não impedem avanço do índice

Mesmo com desempenho negativo de algumas das principais ações do índice, o Ibovespa manteve o ímpeto de alta. A Vale (VALE3) recuou 0,09%, pressionada pela queda do minério de ferro na China, enquanto a Petrobras (PETR4) caiu 0,63%, acompanhando a ampla baixa dos contratos futuros de petróleo no mercado internacional.

Bancos, B3 e Embraer sustentam o novo recorde

No campo doméstico, ações do setor financeiro tiveram papel importante na sustentação do índice. Bradesco (BBDC4) avançou expressivos 2,05% e Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,86%, em um movimento que sinalizou que a nova liquidação de uma instituição financeira pelo Banco Central não deve contaminar a percepção de risco sistêmico do setor bancário.

A B3 (B3SA3) teve mais uma sessão de forte valorização, com alta de 2,65%, dando continuidade ao movimento positivo observado recentemente. A Embraer (EMBJ3) também se destacou novamente e avançou 2,79%, impulsionada pela perspectiva de uma possível parceria estratégica na Índia.

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