O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira em queda de 0,3%, aos 157.162,43 pontos, após oscilar entre a mínima de 156.509,44 e a máxima de 158.319,14 pontos. O volume financeiro somou R$ 29,1 bilhões. Foi o segundo dia consecutivo de leve correção, depois da sequência histórica de 15 altas seguidas, a mais longa em mais de 30 anos, que havia garantido um avanço acumulado de 9,48%.
O movimento foi de realização de lucros, amplificado pelo viés negativo vindo de Nova York. Nos Estados Unidos, o S&P 500 recuou 1,66%, pressionado pelas perdas das gigantes de tecnologia, especialmente da Nvidia, diante da revisão das apostas sobre o início dos cortes de juros.
No câmbio, o dólar comercial subiu 0,37%, a R$ 5,292, interrompendo cinco sessões consecutivas de queda. Os juros futuros mantiveram viés de baixa, acompanhando a melhora das expectativas inflacionárias domésticas.
Realização de lucros e influência externa
Depois de mais de duas semanas de alta ininterrupta, o mercado local encontrou espaço para ajustes. O desempenho misto em Wall Street, com forte correção nos papéis ligados à inteligência artificial, reforçou a busca por proteção e a venda de posições de curto prazo na B3.
Apesar das quedas pontuais, o fluxo estrangeiro continua positivo, ajudando a conter maiores realizações e mantendo o Ibovespa próximo das máximas históricas.
Hapvida desaba e puxa o índice
Entre os destaques da sessão, a Hapvida (HAPV3) despencou 42,21%, após divulgar resultado trimestral muito abaixo das expectativas. O Ebitda da companhia caiu 17,6% no terceiro trimestre, em sinal de que a recuperação operacional segue mais lenta do que o mercado esperava. Após o fechamento, a empresa anunciou um programa de recompra de até 70 milhões de ações.
O tombo da Hapvida teve impacto relevante sobre o índice, dada a alta liquidez do papel e o peso no setor de saúde.
Balanços corporativos movimentam o dia
O noticiário de resultados trimestrais continuou a ditar o ritmo dos negócios. O Grupo Ultra (UGPA3) caiu 4,77%, mesmo após reportar lucro de R$ 772 milhões no trimestre, alta de 11% sobre o mesmo período do ano anterior. Analistas apontam realização de lucros após série de seis altas seguidas e valorização de quase 8%.
Entre os destaques positivos, MRV (MRVE3) avançou 5,16%, sustentada por lucro líquido consolidado de R$ 111 milhões, impulsionado pelo desempenho da divisão de incorporação. A Allos (ALOS3) subiu 4,58%, após apresentar Ebitda ajustado de R$ 502,4 milhões, acima das projeções, e anunciar dividendos adicionais de R$ 96 milhões.
O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o pregão em baixa de 1,32%, após ter caído mais de 6% ao longo do dia, refletindo o resultado do terceiro trimestre — queda superior a 60% no lucro líquido e revisão para baixo das projeções de 2025. Executivos da instituição, contudo, afirmaram esperar uma reversão na inadimplência do agronegócio a partir de 2026.
No setor financeiro, Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,4%, Bradesco (BBDC4) ganhou 0,21% e Santander (SANB11) avançou 0,54%, suavizando parte das perdas do índice.
Petrobras e Vale limitam perdas
Petrobras (PETR4) teve leve alta de 0,43%, acompanhando a valorização do petróleo no exterior. A estatal continua sob atenção do mercado após reportagens indicarem que o plano estratégico 2026-2030 poderá prever investimentos de US$ 106 bilhões, abaixo das estimativas anteriores. A ANP, por sua vez, negou o pedido da companhia para um novo plano de desenvolvimento dos campos de Barracuda e Caratinga.
Vale (VALE3) recuou 0,14%, com o minério de ferro subindo moderadamente na China. Entre as siderúrgicas, o desempenho foi positivo: Gerdau (GGBR4) avançou 0,79%.
Fora do índice, a Gol (GOLL54) disparou 13,40%, após surpreender o mercado com redução de custos e melhor resultado operacional no terceiro trimestre.