O Ibovespa voltou a quebrar recordes nesta terça-feira (11), subindo 1,60% e encerrando o dia aos 157.748,60 pontos — um ganho expressivo de 2.491,29 pontos. É o 15º pregão consecutivo de alta, feito que não ocorria desde junho de 1994, antes mesmo da criação do real. Pela primeira vez na história, o principal índice da Bolsa brasileira fechou acima dos 157 mil pontos.
A valorização foi tamanha que o índice saltou diretamente da casa dos 155 mil pontos para os 157 mil, sem nunca ter encerrado uma sessão nos 156 mil. Foi também o 12º pregão seguido de recorde de fechamento e o 10º, nas últimas 12 sessões, em que o Ibovespa renova sua máxima histórica intradiária — hoje atingindo 158.467,21 pontos, o maior nível de todos os tempos.
O real acompanhou o bom humor da Bolsa. A moeda brasileira se valorizou pelo quinto dia consecutivo, com o dólar comercial em queda de 0,64%, a R$ 5,273. Os juros futuros (DIs) também recuaram ao longo de toda a curva.
Ata do Copom anima o mercado
O movimento de alta ganhou força logo pela manhã, após a divulgação da ata da última reunião do Copom, que manteve a taxa Selic em 15%. O documento trouxe sinais mais brandos do que o esperado, reacendendo as apostas de que o ciclo de cortes pode começar já em janeiro, em vez de março de 2026, como previa a maioria dos analistas.
A leitura mais amena do comunicado impulsionou o apetite por risco e reforçou a percepção de que o ambiente doméstico segue favorável à renda variável.
Alívio político nos EUA reforça otimismo
Do exterior, também veio combustível para a alta. O Senado dos Estados Unidos aprovou um acordo para encerrar a paralisação mais longa da história do governo norte-americano, e o texto agora segue para votação na Câmara dos Representantes. A perspectiva de fim do shutdown animou os investidores, embora os índices de Wall Street tenham fechado de forma mista, com o Nasdaq pressionado por novas preocupações com o setor de tecnologia.
Na Europa, as bolsas operaram em alta, refletindo o mesmo sentimento de melhora global.
Balanços impulsionam ações
O noticiário corporativo brasileiro seguiu movimentado e colaborou para o avanço da Bolsa. Marfrig (MBRF3) subiu 8,15% após divulgar balanço do terceiro trimestre considerado sólido, em meio à reabertura do mercado chinês para o frango brasileiro.
Movida (MOVI3) foi outro destaque de peso, disparando 15,93% após surpreender positivamente com os números do trimestre. Já Braskem (BRKM5) saltou 18,04%, em reação a rumores de que a Novonor estaria próxima de fechar a venda de sua participação na petroquímica para a gestora IG4. A empresa também anunciou um acordo de R$ 1,2 bilhão com o governo de Alagoas, para indenizações ligadas ao desastre geológico em Maceió.
Na ponta oposta, Natura (NATU3) desabou 15,65%, após resultados piores do que o esperado no terceiro trimestre.
Blue chips e bancos reforçam o rali
Entre as grandes companhias do índice, Petrobras (PETR4) ganhou destaque, com alta de 2,60%, acompanhando o avanço do petróleo internacional. Vale (VALE3) teve leve recuo de 0,26%, em dia de estabilidade do minério de ferro.
O setor bancário também sustentou a alta do Ibovespa. Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander (SANB11) avançaram mais de 2%, enquanto Banco do Brasil (BBAS3) subiu 3,03%, impulsionado por revisões positivas em recomendações de analistas.
Próximos focos
O mercado segue atento à votação que pode encerrar o shutdown nos EUA e às oscilações das ações de tecnologia, em meio ao temor de uma possível bolha de inteligência artificial — ainda distante de se concretizar.
Com mais uma sessão histórica, o Ibovespa reafirma o clima de confiança que vem dominando o mercado doméstico nas últimas semanas.