O Ibovespa encerrou a quarta-feira (5) com mais um salto expressivo e uma nova rodada de recordes. O índice subiu 1,72%, alcançando 153.294,44 pontos — o maior fechamento de sua história. Na máxima do dia, chegou a 153.583,19 pontos, superando com folga as marcas anteriores. Foi a 11ª sessão consecutiva de valorização, igualando a sequência positiva registrada entre 1º e 15 de julho de 2024.
O dólar comercial acompanhou o otimismo e caiu 0,70%, a R$ 5,361, enquanto os juros futuros (DIs) recuaram ao longo de toda a curva.
Mercado à espera do Copom
O desempenho veio na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve manter a taxa Selic em 15% nesta reunião. Mesmo sem expectativa de corte, investidores enxergam sinais de confiança na economia doméstica e na manutenção do fluxo de capital estrangeiro.
Outro fator de apoio foi o avanço do projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, aprovado em comissão no Senado e que seguirá diretamente ao plenário, sem necessidade de nova votação na Câmara. No campo externo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, confirmou que voltará a se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na próxima semana, no Canadá, para discutir o impasse tarifário.
Cenário internacional movimentado
Nos Estados Unidos, o clima político segue tenso. A Suprema Corte iniciou as audiências sobre as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, um dos pilares de sua política econômica. Paralelamente, o país enfrenta a mais longa paralisação do governo federal da história — já são 36 dias, com um custo estimado de US$ 15 bilhões por semana.
Trump também sofreu derrotas eleitorais importantes em estados como Nova York, Virgínia e Califórnia, reforçando o avanço democrata em regiões estratégicas.
Na economia, o relatório da ADP mostrou criação de 42 mil empregos no setor privado em outubro, acima das projeções, enquanto o ISM apontou aceleração na atividade de serviços. Ainda assim, o mercado de trabalho segue considerado fraco. Em Nova York, os principais índices subiram após ajustes recentes, impulsionados novamente pelas ações de tecnologia e inteligência artificial.
Destaques corporativos
No Brasil, o bom humor da Bolsa foi sustentado por ações de peso. A Vale (VALE3) avançou 1,72%, mesmo com o minério de ferro em queda, e a Petrobras (PETR4) ganhou 1,98%, beneficiada por decisão favorável do STJ em disputa de R$ 2,9 bilhões contra a Paragon Offshore.
O Itaú Unibanco (ITUB4) divulgou seu balanço do terceiro trimestre e, após um pregão volátil, fechou com alta de 0,43%. Segundo o presidente-executivo Milton Maluhy Filho, o banco segue confortável com sua rentabilidade atual.
Entre as demais empresas, CSN (CSNA3) caiu 4,60% e CSN Mineração (CMIN3) recuou 0,17%, apesar de resultados acima do esperado. O grupo estuda criar uma nova companhia para captar recursos e reduzir endividamento. GPA (PCAR3) fechou estável, ainda com alavancagem elevada, e C&A (CEAB3) disparou 8,51% após apresentar um balanço considerado sólido. Odontoprev (ODPV3), por outro lado, desabou 8,29%, com desempenho abaixo do observado em trimestres anteriores.
Perspectivas
Com o Ibovespa acumulando 11 altas consecutivas e renovando máximas diárias, o foco agora se volta para a decisão do Copom e a nova leva de balanços corporativos. Mesmo em um cenário global desafiador, o apetite por risco segue elevado no mercado brasileiro, sustentando a trajetória recordista da Bolsa.