O processo de fusão entre Gol (GOLL54) e Azul (AZUL4) chegou ao fim após cerca de nove meses de negociações. Em comunicados divulgados ao mercado na noite de quinta-feira (25), as companhias confirmaram a rescisão das tratativas e também o encerramento do acordo de codeshare, assinado em maio de 2024 para integrar suas malhas aéreas no Brasil.
Segundo a Abra, holding controladora da Gol, “as partes não tiveram discussões significativas ou progrediram em uma possível operação de combinação de negócios por vários meses como resultado do foco da Azul em seu processo de Chapter 11”. A declaração consta em fato relevante comunicado à Azul.
O anúncio ocorre em um momento de reestruturação para as duas companhias. Em janeiro, quando assinaram o memorando de entendimentos, a Gol ainda estava em recuperação judicial nos Estados Unidos. O processo foi encerrado em junho, quando a empresa afirmou que passaria a concentrar esforços em crescimento. Já a Azul entrou com pedido de Chapter 11 pouco antes da conclusão da recuperação da Gol, apresentando um plano de refinanciamento de dívidas e injeção de capital para sair do processo até o fim de 2025.
Apesar da frustração em torno da fusão, o mercado reagiu de forma positiva para a Azul. As ações da companhia subiram cerca de 10% na manhã desta sexta-feira (26), refletindo a expectativa de investidores de que a empresa mantenha o foco em sua reestruturação financeira.
No âmbito regulatório, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vinha acompanhando de perto o processo. No início de setembro, o presidente do órgão, Gustavo Augusto, criticou os anúncios das empresas sobre a fusão. “Quando é uma empresa que tem ações, que você tem uma posição dominante no mercado e você tem que ter uma preocupação, uma cautela com a sua comunicação, você não deve anunciar uma operação de fusão, aquisição, que não está pronta e não foi apresentada às autoridades reguladoras”, afirmou em entrevista à Reuters.
Uma semana antes, o Cade havia notificado as companhias sobre o acordo de codeshare, estabelecendo prazo de 30 dias para que elas se manifestassem e proibindo a expansão da parceria sem análise prévia. Com o fim do acordo, a Gol informou que todos os bilhetes emitidos dentro da vigência do codeshare serão honrados. A Azul reforçou, em fato relevante, que segue comprometida com o fortalecimento de sua estrutura de capital e manterá o mercado informado sobre os desdobramentos da cooperação comercial.
A fusão entre Gol e Azul poderia resultar na maior companhia aérea do Brasil em participação de mercado. De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) referentes a agosto, a Latam lidera o setor com 41,1% do market share, seguida pela Gol com 30,1% e pela Azul com 28,4%.
No campo financeiro, a Azul registrou lucro líquido de R$ 1,29 bilhão no segundo trimestre de 2025, revertendo prejuízo de R$ 3,56 bilhões do mesmo período de 2024. Já a Gol reportou prejuízo de R$ 1,5 bilhão no trimestre, embora tenha reduzido perdas em comparação ao ano anterior.