O dólar registrou leve valorização frente ao real nesta terça-feira (20), sendo negociado em torno de R$ 5,39, em um ambiente marcado por liquidez reduzida e postura defensiva dos investidores. O movimento ocorre em meio ao feriado nos Estados Unidos e ao aumento das tensões comerciais entre Washington e países europeus, após o anúncio de tarifas adicionais pelo governo americano, segundo análise do economista Mauriciano Cavalcante, da Ourominas.
De acordo com o boletim de câmbio, o mercado opera com fluxo limitado e maior cautela, enquanto os agentes aguardam novos sinais sobre a condução da política monetária dos Estados Unidos. A atenção permanece voltada para a possibilidade de mudanças na trajetória dos juros pelo Federal Reserve, fator que segue influenciando o comportamento das moedas globais.
No cenário doméstico, a agenda econômica inclui a divulgação de indicadores de atividade, como a prévia do Produto Interno Bruto e a Pesquisa Mensal de Serviços. Além disso, o Banco Central realiza leilões de swap cambial, instrumentos utilizados para ofertar proteção ao mercado e administrar a liquidez em momentos de maior volatilidade.
No exterior, os destaques ficam por conta dos dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos e dos discursos de dirigentes do Federal Reserve. Conforme o economista, esses eventos podem trazer sinalizações relevantes sobre o rumo da política monetária, com impacto direto sobre o dólar e outros ativos financeiros.
Enquanto isso, o cenário internacional segue pressionado por incertezas geopolíticas e comerciais. A ameaça de tarifas contra países europeus e disputas envolvendo a Groenlândia aumentam a aversão ao risco, ao passo que o dólar perde força frente a outras moedas. O índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana frente a uma cesta de moedas, apresentou recuo, reforçando o movimento de desvalorização global.
Paralelamente, o ouro apresentou forte valorização e ultrapassou a marca de US$ 4.700 por onça no mercado internacional, sendo cotado em torno de US$ 4.720. No Brasil, o preço do ouro 24 quilates ficou próximo de R$ 819 por grama, com avanço superior a 3% em relação ao fechamento anterior, conforme boletim divulgado por Mauriciano Cavalcante.
Segundo a análise, a alta do metal precioso reflete o aumento da busca por ativos de proteção em um ambiente de maior incerteza. A queda das bolsas globais e as dúvidas sobre os próximos passos do Federal Reserve têm direcionado o fluxo de investidores para ativos considerados defensivos, com o ouro se destacando nesse contexto.
A agenda econômica segue no radar do mercado ao longo da semana. No Brasil, além da Pesquisa Mensal de Serviços, são esperados dados de vendas no varejo e o IBC-Br, indicador considerado uma prévia do PIB. Nos Estados Unidos, os números de inflação ao consumidor e as falas de dirigentes do Fed devem calibrar as expectativas e influenciar diretamente o comportamento do ouro.
O cenário internacional, marcado por tensões políticas, comerciais e sinais de desaceleração da economia global, tem sustentado a trajetória de valorização do metal. O ouro vinha acumulando ganhos expressivos nos últimos meses, atingindo recordes históricos em meio às turbulências, e segue atraindo fluxos enquanto persistem as incertezas sobre a economia mundial e a política monetária americana.