O dólar iniciou o pregão desta segunda-feira (5) em leve alta, cotado a R$ 5,43, após a forte queda registrada no primeiro dia útil de 2026, enquanto o ouro avançou e manteve o papel de ativo de proteção. O movimento ocorre em um ambiente de cautela global, influenciado pela prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro e pela expectativa em torno da política monetária internacional.
De acordo com boletim de Mauriciano Cavalcante, economista de câmbio da Ourominas, a valorização moderada do dólar reflete um ajuste de risco, além da menor liquidez característica do início do ano. Segundo ele, o fluxo cambial permanece contido, sem entradas ou saídas relevantes, em linha com o volume reduzido de negócios observado após o feriado.
Ainda no cenário doméstico, os investidores acompanham os primeiros sinais da política fiscal do governo e a divulgação de indicadores econômicos ao longo da semana. Conforme a avaliação do mercado, dados de inflação, como o IPCA, e números de atividade econômica devem influenciar as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central, que mantém postura de atenção diante das pressões inflacionárias.
No ambiente externo, o comportamento do dólar também é impactado pelas expectativas em relação à política monetária dos Estados Unidos. Os agentes monitoram discursos de dirigentes do Federal Reserve, além de dados de emprego e atividade, que podem redefinir as apostas sobre o ritmo de cortes de juros ao longo de 2026.
O ouro, por sua vez, abriu o dia cotado a cerca de R$ 770 por grama, em alta frente ao fechamento anterior. No mercado internacional, a onça troy do metal, equivalente a 31,1035 gramas, é negociada em torno de US$ 4.431, refletindo as operações em praças como Nova York e Londres no início da sessão desta segunda-feira (6).
Segundo Mauriciano Cavalcante, economista de ouro da Ourominas, o metal segue sendo procurado como forma de proteção diante das incertezas globais. Conforme o boletim, o preço do ouro incorpora não apenas as expectativas sobre a política monetária norte-americana, mas também o aumento da aversão ao risco provocado pela crise política na Venezuela, após a detenção de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos.
Nesse contexto, juros mais baixos tendem a favorecer o ouro, ao reduzir o custo de oportunidade de manter o metal em carteira. Além disso, de acordo com analistas, tensões geopolíticas, volatilidade cambial e oscilações em outras commodities reforçam o papel do ouro como reserva de valor.
No Brasil, os investidores também acompanham indicadores de inflação, dados de atividade econômica e os desdobramentos do cenário político em Brasília. A percepção sobre o equilíbrio fiscal influencia o câmbio e, de forma indireta, a demanda por ouro como instrumento de proteção contra riscos locais.
Com agenda econômica carregada, liquidez reduzida e aumento das incertezas geopolíticas, o mercado financeiro segue adotando uma postura de prudência no início de 2026.