Dólar recua com cautela sobre Fed e ouro atinge máxima histórica

Movimentos no câmbio e nos metais refletem instabilidade política nos Estados Unidos e expectativa por dados de inflação e atividade no Brasil e no exterior
Olia Danilevich
Olia Danilevich

O dólar iniciou esta segunda-feira (12) em leve queda, cotado a R$ 5,36, enquanto o ouro avançou e renovou máximas históricas no mercado internacional. Os movimentos ocorrem em um ambiente de cautela dos investidores, marcado por tensões políticas nos Estados Unidos e pela expectativa em torno de indicadores econômicos relevantes no Brasil e no exterior.

Segundo boletim divulgado por Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas, o mercado de câmbio começa a semana em tom defensivo. A disputa entre a Casa Branca e o Federal Reserve elevou a percepção de risco, levando investidores a monitorarem possíveis impactos sobre a política monetária americana. No Brasil, os fluxos cambiais seguem moderados, sem sinais de pressão intensa sobre a moeda.

Ainda de acordo com o economista, o sentimento predominante é de cautela. Parte dos investidores mantém posições defensivas em dólar, porém o enfraquecimento da moeda americana no cenário global, observado desde o início de 2026, abre espaço para a valorização de ativos de mercados emergentes, apesar da volatilidade gerada pelo cenário político nos Estados Unidos.

Na agenda doméstica desta segunda-feira (12), o destaque é a divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central, além da prévia do IGP-M de janeiro e dos dados da balança comercial semanal. Esses indicadores podem influenciar as expectativas do mercado em relação à trajetória da taxa Selic em 2026.

No cenário internacional, os investidores acompanham falas de dirigentes do Federal Reserve e a divulgação de indicadores como o CPI, que mede a inflação ao consumidor, e o PPI, que acompanha os preços ao produtor nos Estados Unidos. Também estão no radar dados de atividade econômica da China e da Europa.

No mercado de metais, o ouro iniciou o dia em forte alta, superando os US$ 4.600 por onça-troy e renovando máximas históricas. Conforme o boletim da Ourominas, o movimento reflete a busca por proteção diante da crise política nos Estados Unidos, após a intimação contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, fato que aumentou a percepção de risco sobre a independência da autoridade monetária.

A valorização intradiária do ouro supera 1%, consolidando o metal como principal ativo de proteção no cenário global. No Brasil, a cotação acompanha o movimento externo, com o grama do ouro negociado próximo a R$ 777, influenciado tanto pela alta internacional quanto pelas oscilações do câmbio.

Segundo o economista, investidores vêm reduzindo exposição ao dólar e à renda variável americana, direcionando recursos para ativos defensivos. A combinação entre crise institucional nos Estados Unidos, expectativa de manutenção de juros elevados pelo Fed e sinais de desaceleração econômica na China e na Europa reforça a demanda por proteção.

O mercado deve reagir de forma imediata às falas de autoridades monetárias e à divulgação dos dados de inflação e atividade, em um ambiente marcado por incerteza política, volatilidade e ajustes no ciclo global de juros.

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