Dólar recua após decisões de juros e ouro atinge recorde histórico

Movimento reflete cautela dos investidores após decisões do Fed e do Copom, enquanto o ouro sobe com busca por proteção em meio a incertezas globais
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O dólar iniciou o dia nesta quinta-feira (29) cotado a R$ 5,18, em queda frente ao real, enquanto o ouro disparou e atingiu um novo recorde histórico no mercado internacional. O movimento ocorre após as decisões de política monetária do Comitê de Política Monetária e do Federal Reserve, anunciadas na chamada Super Quarta, segundo avaliação de agentes do mercado financeiro.

De acordo com boletim de câmbio divulgado por Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, a desvalorização da moeda norte-americana reflete a leitura cautelosa dos investidores em relação aos próximos passos das autoridades monetárias no Brasil e nos Estados Unidos. O Federal Reserve manteve os juros entre 3,5% e 3,75% ao ano, conforme esperado, mas indicou que eventuais cortes dependerão da evolução da inflação e dos indicadores econômicos.

No cenário doméstico, o Copom também optou por manter a taxa Selic, sinalizando que um ciclo de flexibilização pode ter início em março, caso o ambiente inflacionário permita. Esse conjunto de decisões, conforme operadores, influencia diretamente o comportamento do câmbio e a alocação de recursos no curto prazo.

Ainda segundo o boletim, o fluxo estrangeiro segue positivo para ativos brasileiros. O desempenho recente do Ibovespa, que renovou máximas históricas, contribui para reduzir pressões sobre o dólar, mesmo diante de um ambiente internacional marcado por incertezas. Assim, o real se mantém relativamente estável, próximo do patamar de R$ 5,20.

No mercado internacional, a agenda econômica concentra atenções em indicadores de emprego e inflação nos Estados Unidos, além de dados de atividade na Europa. No Brasil, os investidores acompanham a divulgação do IGP-M, números do Caged e a atualização da dívida pública, fatores que podem influenciar as expectativas para juros e câmbio.

Paralelamente, o ouro apresentou forte valorização e abriu o dia cotado a US$ 5.500 por onça troy, renovando recorde histórico. Conforme boletim assinado por Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas, a alta de cerca de 2,2% reflete a busca por ativos de proteção diante das tensões geopolíticas e das incertezas sobre a política monetária norte-americana.

O metal precioso segue atraindo fluxo relevante de capitais. De acordo com dados do mercado, os contratos futuros negociados na B3 movimentaram quase R$ 1 bilhão em um único pregão, o que indica aumento da demanda por segurança por parte dos investidores.

Segundo a análise, a manutenção dos juros nos Estados Unidos sustenta a cautela dos agentes, mas qualquer sinalização futura de cortes tende a reforçar ainda mais a atratividade do ouro. Taxas de juros mais baixas, em geral, reduzem o custo de oportunidade de manter posições no metal.

O cenário global permanece marcado por incertezas políticas e geopolíticas, o que amplia a procura por ativos defensivos. A superação do patamar de US$ 5 mil pela primeira vez, conforme analistas, reforça a percepção de proteção contra riscos de desaceleração econômica e instabilidade nos mercados internacionais.

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