Dólar recua antes da super quarta e ouro atinge recorde acima de US$ 5 mil

Mercado financeiro opera com cautela à espera das decisões de juros no Brasil e nos EUA, enquanto investidores buscam proteção em meio às incertezas globais
Karolina Gabrowski
Karolina Gabrowski

O dólar iniciou a semana em queda nesta segunda-feira (26), cotado a R$ 5,28 na abertura, enquanto o ouro renovou recordes ao superar a marca de US$ 5.000. O movimento ocorre em meio à expectativa do mercado pela chamada super quarta, quando serão anunciadas as decisões de política monetária do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos.

De acordo com o boletim de câmbio elaborado pelo economista Mauriciano Cavalcante, da Ourominas, os investidores operam em clima de cautela, aguardando não apenas a definição das taxas de juros, mas principalmente os comunicados que acompanharão as decisões. A expectativa predominante é de manutenção dos juros nos dois países.

Segundo o economista, os fluxos financeiros seguem mistos. Por um lado, há entrada de capital estrangeiro em busca de oportunidades na bolsa brasileira, favorecida pelo diferencial de juros. Por outro, persistem movimentos defensivos diante das incertezas no cenário externo, o que limita uma valorização mais consistente do real.

O carry trade continua exercendo influência relevante sobre o câmbio, sustentando parte da demanda pela moeda brasileira. Ainda assim, o comportamento dos investidores permanece sensível aos sinais que serão emitidos pelos bancos centrais ao longo da semana.

Na agenda econômica doméstica, o Banco Central divulga o Boletim Focus e estatísticas do setor externo, enquanto a Fundação Getulio Vargas apresenta o IPC-S e a Sondagem do Consumidor. Além disso, ao longo da semana, dados como o IPCA-15 e informações fiscais devem ganhar atenção do mercado.

No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente da Fifa, Gianni Infantino, em Brasília, em meio às discussões relacionadas à candidatura do Brasil para sediar a Copa do Mundo Feminina, conforme informado na agenda oficial.

No cenário internacional, os investidores acompanham indicadores relevantes da economia dos Estados Unidos, como o Produto Interno Bruto, pedidos de auxílio-desemprego e o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), referência para a política monetária do Fed. Ainda segundo Cavalcante, a postura mais moderada do presidente Donald Trump em relação a tensões geopolíticas recentes contribuiu para reduzir parte da aversão ao risco.

No mercado de commodities, o ouro iniciou o dia com novo recorde, atingindo US$ 5.085, alta de cerca de 2% em relação ao fechamento de sexta-feira. No Brasil, o metal acompanhou o movimento externo, sendo negociado a R$ 864 o grama na abertura.

Conforme o boletim sobre o ouro, o avanço reflete a busca dos investidores por proteção diante da expectativa das decisões de política monetária e das dúvidas sobre o ritmo de cortes de juros nos Estados Unidos. Juros estáveis tendem a reduzir o custo de oportunidade de manter posições em ouro.

Os fluxos seguem direcionados a ativos defensivos, com parte do mercado reduzindo exposição a moedas emergentes e ações, enquanto amplia posições em metais preciosos. O volume negociado nos contratos futuros apresenta incremento moderado, indicando demanda por proteção sem caracterizar uma fuga generalizada de risco.

Ainda segundo o economista da Ourominas, a volatilidade nos mercados de energia e as tensões geopolíticas também contribuem para a sustentação do ouro como reserva de valor. Assim, o metal opera em alta, apoiado pelo ambiente de cautela global e pela atenção aos indicadores econômicos e decisões de política monetária.

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