A cotação do dólar manteve estabilidade nesta quinta-feira (9), refletindo a combinação de incertezas políticas internas e expectativa sobre o diálogo comercial entre Brasil e Estados Unidos. A moeda americana encerrou o pregão anterior cotada a R$ 5,34 e segue oscilando em torno desse patamar no início das negociações de hoje, sem direção definida.
De acordo com o diretor de Câmbio da Ourominas, Elson Gusmão, a caducidade da Medida Provisória 1303/2025 — que previa a tributação de ganhos com investimentos e apostas esportivas — trouxe incerteza ao mercado por envolver pontos da política fiscal. A proposta compensaria a retirada do aumento do IOF, mas perdeu validade antes de ser votada. A indefinição sobre o tema gera apreensão entre investidores, que acompanham os impactos potenciais sobre a credibilidade fiscal e as projeções de inflação e câmbio.
No cenário externo, o foco recai sobre as negociações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. As conversas buscam reduzir as tarifas impostas nos últimos meses sobre produtos brasileiros, especialmente do setor industrial e de commodities. Segundo analistas do mercado financeiro, um eventual acordo pode fortalecer o real nas próximas semanas ao estimular o fluxo de dólares provenientes das exportações.
Por outro lado, a falta de avanços concretos mantém o mercado em compasso de espera. Caso as tarifas sejam mantidas ou ampliadas, o impacto no comércio exterior pode pressionar o câmbio novamente. Assim, investidores acompanham de perto os desdobramentos políticos em Brasília e a agenda econômica norte-americana para definir novas estratégias.
Ouro recua levemente após recorde histórico, mas mantém trajetória de alta
O ouro opera em leve correção nesta quinta-feira (9), após atingir novo recorde histórico acima de US$ 4.040 por onça-troy no pregão anterior. Pela manhã, o metal era negociado a US$ 3.438, recuo de 0,2%, conforme informou o diretor de Ouro da Ourominas, Mauriciano Cavalcante. Mesmo com o ajuste, o ativo acumula alta superior a 50% no ano, sustentado pela busca global por proteção financeira.
A recente trégua entre Israel e Hamas reduziu momentaneamente a aversão ao risco, levando investidores à realização de lucros. No entanto, a expectativa de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve tende a enfraquecer o dólar e manter o ouro valorizado.
Na China, o preço físico do metal ultrapassa 1.160 yuans por grama, o que tem limitado a demanda local. Analistas avaliam que o mercado está sobrecomprado, com espaço para correções de curto prazo. Os principais níveis de suporte técnico estão entre US$ 3.700 e US$ 3.850, enquanto a resistência permanece próxima de US$ 4.000.
Apesar da correção pontual, o cenário de longo prazo segue favorável, com o ouro consolidando sua posição como ativo de proteção patrimonial em meio às incertezas econômicas globais.