Dólar volta a superar R$ 5,40 com ajuste ao payroll e tensão política entre Planalto e Senado

O avanço da moeda ocorreu mesmo diante de um fator potencialmente positivo para o fluxo cambial
Karola G
Karola G

O dólar encerrou a sexta-feira (21) em forte alta no mercado brasileiro, retomando o patamar acima de R$ 5,40 em um pregão marcado por ajustes ao noticiário internacional da véspera e por nova onda de incertezas políticas no cenário doméstico. A sessão foi a primeira após o feriado da Consciência Negra, o que ampliou o movimento de correção das cotações.

A moeda norte-americana avançou 1,20% no mercado à vista, fechando a R$ 5,4020. Com isso, acumulou valorização semanal de 1,97%. No segmento futuro, o contrato de dezembro subiu 1,42% na B3, batendo R$ 5,4150 às 17h07. No comercial, o dólar terminou a R$ 5,400 para compra e R$ 5,401 para venda; no turismo, os preços oscilaram entre R$ 5,424 e R$ 5,604.

O impulso inicial veio da necessidade de alinhamento do real ao movimento global de quinta-feira, quando o mercado local estava fechado. Naquele dia, o Departamento do Trabalho dos EUA informou a criação de 119 mil vagas em setembro, bem acima das estimativas de 50 mil. A taxa de desemprego, por outro lado, subiu para 4,4%, levemente acima do esperado. Ainda assim, o resultado reforçou a força do dólar no exterior e exigiu correção imediata dos preços no Brasil.

O ambiente externo também pesou sobre moedas de países emergentes e exportadores de commodities, agravado pela queda expressiva do petróleo. O real acompanhou esse movimento e viu o dólar ganhar força de forma consistente ao longo do pregão. A volatilidade aumentou com a ativação de ordens automáticas de stop loss, que aceleraram o avanço das cotações em alguns momentos.

No plano doméstico, a indicação de Jorge Messias — atual advogado-geral da União — para uma vaga no Supremo Tribunal Federal acentuou a cautela dos investidores. A reação fria no Senado gerou ruídos entre o Legislativo e o Planalto, contribuindo para um ambiente menos favorável a ativos brasileiros. O dólar abriu em alta moderada, tocou mínima de R$ 5,3511 logo nos primeiros minutos e, em seguida, engatou uma escalada que levou à máxima de R$ 5,4194 pouco depois do meio-dia.

O avanço da moeda ocorreu mesmo diante de um fator potencialmente positivo para o fluxo cambial: o decreto assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, retirando a tarifa de 40% sobre produtos brasileiros como carne bovina, café e suco de laranja. A medida tende a favorecer as exportações brasileiras, mas o impacto foi ofuscado pelo noticiário mais pesado do dia.

Lá fora, apesar de as apostas em um corte de juros pelo Federal Reserve em dezembro terem voltado a subir, o dólar manteve desempenho mais forte frente boa parte das outras divisas, em um ambiente de maior cautela global e retomada da volatilidade nos mercados internacionais.

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