Dólar perde fôlego após máxima e fecha perto da estabilidade a R$ 5,52

Declarações do BC e alívio no cenário político ajudam a conter avanço da moeda, que chegou a superar R$ 5,56 durante o dia
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O dólar iniciou a quinta-feira (18) pressionado no mercado brasileiro e chegou a ultrapassar o patamar de R$ 5,56, mas acabou reduzindo os ganhos ao longo da sessão e encerrou o pregão praticamente estável frente ao real. A mudança de direção ocorreu em meio a um ambiente mais favorável para os ativos domésticos, após falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e a uma leitura mais amena do noticiário político.

Durante a tarde, Galípolo afirmou que a definição sobre a taxa Selic na reunião de janeiro ainda não está fechada, o que levou investidores a moderar expectativas mais rígidas em relação à política monetária. A sinalização contribuiu para uma melhora do sentimento no mercado local, favorecendo o real e reduzindo a pressão sobre o câmbio.

Com isso, o dólar à vista terminou o dia com leve alta de 0,04%, cotado a R$ 5,5244. Apesar da sequência recente de valorização, a moeda norte-americana ainda acumula queda de 10,59% no ano. No mercado comercial, a cotação ficou em R$ 5,524 tanto para compra quanto para venda.

Noticiário político entra no radar e influencia o câmbio

O cenário político também esteve no centro das atenções. A percepção de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ainda pode se consolidar como o principal nome da direita na corrida presidencial de 2026 ajudou a aliviar parte da tensão observada nos últimos dias, quando a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) vinha sendo vista como um fator de risco adicional para os mercados.

Pela manhã, uma pesquisa AtlasIntel divulgada para a Bloomberg mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança das intenções de voto em diferentes cenários eleitorais. No levantamento, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Tarcísio em simulações de primeiro turno. Em um dos cenários testados, Lula soma 47,9% das intenções, seguido por Flávio, com 21,3%, e Tarcísio, com 15%, dentro da margem de erro de um ponto percentual.

Inflação projetada e expectativas para os juros

Os investidores também avaliaram o Relatório de Política Monetária divulgado pelo Banco Central. No documento, a autoridade indicou projeção de inflação acumulada em 12 meses de 3,2% no terceiro trimestre de 2027, nível ainda acima do centro da meta de 3%. A leitura reforçou o discurso de cautela do BC, sem afastar totalmente a possibilidade de ajustes futuros na taxa básica de juros.

Com a combinação de sinais mais equilibrados vindos da política monetária e uma trégua parcial nas preocupações políticas, o dólar devolveu parte da alta registrada pela manhã e encerrou o dia próximo da estabilidade, após mais uma sessão marcada por oscilações no mercado de câmbio.

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