Dólar sobe pelo quarto dia seguido e volta a superar R$ 5,50 com ruído político no radar

Mercado reage a cenário eleitoral para 2026 e acompanha falas de autoridades em sessão de poucos dados
Karolina Gabrowski
Karolina Gabrowski

O dólar registrou nesta quarta-feira (17) a quarta alta consecutiva frente ao real e voltou a operar acima do patamar de R$ 5,50, em um ambiente marcado por cautela dos investidores diante do cenário político doméstico e por um viés positivo da moeda norte-americana no exterior. As preocupações em torno da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República em 2026 seguiram influenciando o humor do mercado, em um dia de agenda econômica esvaziada no Brasil.

A moeda norte-americana à vista encerrou a sessão em alta de 1,07%, cotada a R$ 5,5223 na venda. Apesar do movimento recente de valorização, o dólar ainda acumula queda de 10,63% no ano. No mercado comercial, a divisa foi negociada a R$ 5,522 tanto na compra quanto na venda.

Além do cenário político interno, os investidores acompanharam atentamente declarações de autoridades monetárias e políticas no exterior. Falas de dirigentes do Federal Reserve e comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ajudaram a moldar as expectativas em relação aos próximos passos da política monetária norte-americana, contribuindo para sustentar os ganhos do dólar globalmente.

No Brasil, o mercado já vinha pressionado desde a véspera pela divulgação de uma pesquisa eleitoral Genial/Quaest, que reforçou a percepção de vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em eventuais cenários de disputa presidencial. Em um dos quadros estimulados do levantamento, Lula aparece com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 23% de Flávio Bolsonaro e 10% do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Segundo a pesquisa, Lula venceria todos os adversários em simulações de segundo turno, o que foi interpretado por parte do mercado como um fator de risco adicional para os ativos locais.

No ambiente externo, além das especulações em torno da condução da política monetária pelo Fed, o dólar também apresentou valorização frente à libra esterlina. O movimento ocorreu em meio à expectativa de que o Banco da Inglaterra anuncie um corte de juros em sua próxima reunião, prevista para quinta-feira, o que pressionou a moeda britânica.

Combinando incertezas políticas internas e um cenário internacional ainda sensível às decisões de bancos centrais, o mercado de câmbio no Brasil manteve um tom defensivo, favorecendo a continuidade do movimento de alta do dólar ao longo da sessão.

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