Dólar avança após dados de inflação nos EUA e maior expectativa de remessas ao exterior

Divulgação do PCE nos Estados Unidos, cenário político brasileiro e antecipação de dividendos influenciam movimento da moeda norte-americana, segundo economista
Bruno Domingos/Reuters
Bruno Domingos/Reuters

O dólar registrou valorização consistente nesta sexta-feira (5), conforme informações da economista Carolina Hackmann, do Banco de câmbio Moneycorp. O movimento ocorreu após a divulgação dos dados de inflação dos Estados Unidos, associados ao aumento das expectativas de remessas internacionais e aos impactos do cenário político brasileiro, que influenciaram diretamente o comportamento do mercado de câmbio.

De acordo com Hackmann, o dia começou com leve queda da moeda norte-americana, enquanto investidores aguardavam os dados referentes à inflação e ao consumo nos Estados Unidos. No entanto, no decorrer do pregão, o dólar passou a apresentar alta contínua após a divulgação do PCE Price Index pelo Bureau of Economic Analysis. Segundo o órgão, o indicador subiu 0,3% em setembro, variação que ficou dentro das projeções. No núcleo, a elevação registrada foi de 0,2%. Em relação a setembro de 2024, o índice acumulou aumento de 2,8%, o que, conforme a economista, demonstrou melhora gradual no quadro inflacionário e fortaleceu a moeda norte-americana no mercado internacional.

No ambiente doméstico, Hackmann explicou que a declaração do ex-presidente Jair Bolsonaro, ao indicar o senador Flávio Bolsonaro como possível candidato à Presidência em 2026, trouxe novos elementos de incerteza. Segundo ela, o receio de divisão entre grupos políticos de direita elevou a percepção de risco e pressionou ativos brasileiros, movimento que se somou à visão de fragilidade fiscal observada por agentes do mercado.

Outro ponto destacado pela economista foi o aumento das expectativas de remessas internacionais após companhias anunciarem antecipação do pagamento de dividendos. As medidas buscam evitar a tributação prevista na reforma do Imposto de Renda que entrará em vigor em 2026.

A legislação estabelece alíquota mínima de até 10% para rendimentos acima de 50 mil reais mensais e inclui a taxação de lucros e dividendos. Apenas proventos aprovados até 31 de dezembro de 2025 seguirão isentos, o que motivou empresas a acelerar anúncios e cronogramas de pagamentos.

Hackmann afirmou que a valorização do dólar frente ao real resultou da combinação entre fatores externos, que sustentaram o fortalecimento da moeda americana globalmente, e condições internas que ampliaram a pressão sobre o câmbio no Brasil, causando descolamento em relação a outras moedas emergentes.

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