Dólar abre em leve alta com mercado atento a dados dos EUA e do Brasil

Movimento ocorre após sequência de altas e em meio à valorização do dólar, com mercado atento a tensões geopolíticas e dados econômicos
Karolina Gabrowski
Karolina Gabrowski

O dólar iniciou a quinta-feira (5) em leve alta no mercado brasileiro, cotado a R$ 5,2473 na abertura e próximo de R$ 5,25 nas primeiras negociações do dia. O movimento ocorre em meio à cautela dos investidores, que acompanham indicadores econômicos dos Estados Unidos, desdobramentos da política monetária no Brasil e tensões geopolíticas no Oriente Médio.

De acordo com Elson Gusmão, diretor de câmbio da Ourominas, o mercado começa o dia com cautela moderada, mas com algum apetite por risco. Segundo ele, a moeda norte-americana perdeu parte da força globalmente após a recuperação recente dos índices acionários nos Estados Unidos e na Europa.

Além disso, investidores também observam os impactos da volatilidade registrada nos últimos dias. Conforme análise da agência Reuters, parte do fluxo cambial reflete ajustes técnicos, com devolução de prêmios adicionados ao dólar durante o período de maior tensão geopolítica.

No cenário internacional, um dos principais destaques do dia é a divulgação do relatório de emprego ADP nos Estados Unidos. O indicador apontou criação de 63 mil vagas no setor privado, resultado acima do esperado pelo mercado e que reforça as expectativas sobre os próximos passos da política monetária norte-americana.

No Brasil, o mercado acompanha os desdobramentos relacionados à política monetária conduzida pelo Banco Central, além das repercussões da Operação Compliance Zero no ambiente financeiro. Esses fatores seguem no radar dos investidores e podem influenciar a formação de preços ao longo do dia.

Conflito no Oriente Médio segue no radar

O ambiente externo continua influenciado pelo conflito no Oriente Médio. A escalada das tensões na região pressiona o mercado de petróleo e mantém elevado o nível de volatilidade global.

Ainda assim, a estabilização recente do preço da commodity contribuiu para reduzir parte da pressão sobre o dólar. Esse movimento, segundo analistas, favoreceu ajustes nas moedas de países emergentes, incluindo o real.

Paralelamente, investidores seguem atentos aos sinais sobre possíveis mudanças na política monetária dos Estados Unidos. Indicadores relacionados ao emprego e à atividade econômica continuam sendo considerados decisivos para a definição das expectativas sobre juros nos próximos meses.

Ouro opera com viés de alta no exterior

O mercado de ouro também registra movimentações nesta quinta-feira (5). Segundo Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas, o metal apresenta viés de alta no cenário internacional, impulsionado pela busca por proteção em meio às tensões geopolíticas.

A cotação do ouro futuro atinge US$ 5.165,49 por onça. Já no Brasil, o ouro à vista é negociado a R$ 869,06 por grama (24 quilates), o que representa queda de 2,54% em relação ao dia anterior.

Conforme o economista, o aumento das posições defensivas ocorre em meio ao agravamento do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. Tradicionalmente, esse tipo de cenário tende a elevar a demanda por ativos considerados de segurança, como o ouro.

Ainda assim, o desempenho do metal também é influenciado pelas expectativas sobre a política monetária norte-americana. Dados mais fortes de emprego e inflação podem levar o Federal Reserve a manter juros elevados por mais tempo, fator que costuma limitar a valorização do ouro, já que o ativo não gera rendimento.

Apesar disso, o ambiente de risco geopolítico pode compensar parte desse efeito no curto prazo, mantendo o metal sustentado em níveis elevados.

Agenda econômica e expectativas do mercado

Indicadores econômicos dos Estados Unidos seguem no foco do mercado global. Dados relacionados ao emprego e à inflação são monitorados por investidores por influenciarem diretamente as expectativas sobre juros na maior economia do mundo.

Ao mesmo tempo, o conflito no Oriente Médio permanece como um dos principais fatores de volatilidade nos mercados internacionais. O cenário tem impulsionado movimentos de proteção entre investidores e afetado ativos como petróleo, moedas e metais.

No Brasil, o preço do ouro acompanha a cotação internacional, mas também responde às oscilações do câmbio. O comportamento do dólar, por sua vez, segue influenciado pelo fluxo de capital estrangeiro e pelo noticiário político e econômico doméstico.

Dessa forma, tanto o mercado cambial quanto o de metais preciosos permanecem sensíveis ao avanço das tensões geopolíticas e às sinalizações de política monetária nas principais economias.

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