Dólar abre em alta a R$ 5,18 com Fed e Focus no radar

Mercado reage à ata do Fed, ao Boletim Focus e a incertezas externas, enquanto investidores acompanham dados fiscais e indicadores globais nesta segunda-feira (23)
John Guccione
John Guccione

O dólar iniciou a segunda-feira (23) em leve alta, cotado a R$ 5,18, com investidores atentos ao cenário externo e às projeções do mercado doméstico. O movimento ocorre em meio à repercussão da ata do Federal Reserve, às atualizações do Boletim Focus e a incertezas envolvendo política monetária e comercial nos Estados Unidos e na Europa.

Segundo Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, o mercado começa o dia em tom de cautela, acompanhando ajustes recentes após a divulgação da ata do Federal Reserve e notícias sobre possíveis mudanças no comando do Banco Central Europeu. Esses fatores influenciaram fluxos direcionados a moedas emergentes nos últimos dias.

De acordo com registros das cotações futuras e à vista, as últimas sessões indicaram fluxos mistos e volatilidade moderada na B3 e no mercado à vista. Ainda não há dados consolidados de volume para a manhã desta segunda-feira (23), mas o comportamento recente sugere ambiente de maior sensibilidade aos indicadores internacionais.

No cenário doméstico, investidores monitoram dados fiscais do governo federal previstos para esta semana. Além disso, acompanham as novas projeções do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, que atualizaram estimativas de inflação, juros e câmbio ao longo de 2026. O relatório é observado pelo mercado por sinalizar expectativas para a trajetória da política monetária.

Também permanecem no radar declarações de autoridades monetárias, após discussões recentes sobre política fiscal e vetos presidenciais que impactaram o sentimento dos agentes econômicos. Conforme analistas, a atualização das estimativas de inflação e atividade pelo Banco Central tende a influenciar o comportamento do câmbio nos próximos dias.

No exterior, a ata do Federal Reserve reforçou que a instituição avalia o ritmo apropriado de cortes de juros, o que aumenta a sensibilidade do dólar aos próximos dados de emprego e inflação nos Estados Unidos. Além disso, investidores acompanham temas ligados à política comercial americana, incluindo a possibilidade de novas tarifas defendidas por Donald Trump, fator que adiciona incerteza ao ambiente global.

Na Europa, a possível saída antecipada da presidente do Banco Central Europeu também gerou ruído nos mercados na última semana. Ao longo do dia, os investidores acompanham ainda indicadores como PMIs preliminares, dados do setor industrial dos Estados Unidos e expectativas sobre preços de energia, que podem influenciar o comportamento da moeda.

Ouro sobe a US$ 5.158,92 com busca por proteção global

Metal avança diante de incertezas geopolíticas e expectativas sobre juros nos EUA, enquanto investidores acompanham indicadores de atividade e política monetária

A onça-troy do ouro é negociada a US$ 5.158,92 na manhã desta segunda-feira (23), conforme a cotação spot de 23 de fevereiro de 2026. O metal opera em alta moderada, refletindo a busca por proteção em meio a incertezas geopolíticas e expectativas sobre a política monetária nos Estados Unidos.

Segundo Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas, o movimento é influenciado por um cenário global marcado por aversão ao risco. Na sexta-feira (20), o ouro chegou a superar US$ 5.109 por onça, impulsionado por decisões judiciais e tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos.

O sentimento predominante entre investidores é de cautela, com leve viés de demanda por ativos considerados de segurança. Conforme o economista, a combinação entre inflação persistente, revisões de crescimento econômico e novas discussões sobre tarifas globais reforça a atratividade do metal como proteção.

Ainda não há dados consolidados de volume para a manhã desta segunda-feira (23). No entanto, indicadores recentes apontam forte movimentação em contratos futuros, com volatilidade elevada e fluxos positivos direcionados ao ouro.

Na agenda do dia, investidores acompanham PMIs globais e dados de atividade nos Estados Unidos, que podem influenciar as expectativas sobre decisões futuras do Federal Reserve. A precificação atual indica que o banco central americano mantém postura vigilante, enquanto o mercado avalia possíveis cortes de juros ao longo do ano.

Além disso, tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, e ajustes em políticas comerciais por parte dos Estados Unidos seguem como fatores de suporte ao metal. Investidores também monitoram o comportamento do dólar global, já que a relação entre as duas classes de ativos influencia os movimentos intradiários.

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