O dólar abriu esta segunda-feira (30) cotado a R$ 5,24, em leve alta sobre o fechamento anterior, em um movimento alinhado ao ambiente de cautela observado nos mercados globais. Segundo análise da Ourominas, os investidores acompanham a escalada das tensões no Oriente Médio, a disparada do petróleo e a nova revisão das expectativas de inflação no Brasil, fatores que sustentam a busca por proteção cambial. O cenário também mantém no radar as próximas sinalizações do Federal Reserve sobre os juros nos Estados Unidos.
De acordo com Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, a moeda norte-americana é negociada em torno de R$ 5,24 neste início de sessão. Conforme o boletim, há predominância de fluxos defensivos, com parte do mercado migrando para ativos considerados mais seguros, embora o fluxo cambial ainda se mantenha misto.
Além disso, a valorização do petróleo voltou ao centro das atenções. A commodity reage às incertezas envolvendo o Oriente Médio, sobretudo pelo risco sobre a oferta global de energia, o que amplia as preocupações com inflação e juros. O avanço da commodity também influencia diretamente moedas emergentes, como o real.
No Brasil, o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (30) mostrou nova alta na projeção para o IPCA de 2026, que passou de 4,17% para 4,31%, no terceiro avanço consecutivo. Segundo o mercado, o dado reforça a percepção de que o Banco Central poderá adotar um ritmo mais cauteloso nos próximos cortes da Selic.
Ainda na agenda do dia, investidores monitoram indicadores econômicos no exterior e falas de dirigentes do Federal Reserve, fatores que podem alterar a percepção sobre o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e, consequentemente, o comportamento do dólar em escala global.
Ouro acompanha busca por proteção
No mercado de metais, o ouro iniciou o dia cotado a US$ 4.598,07 por onça troy, em alta. No mercado doméstico, o ouro à vista (24k) é negociado perto de R$ 762 por grama, conforme informou Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas.
Segundo a análise, o metal precioso avança em meio ao aumento da percepção de risco no cenário internacional. As tensões geopolíticas no Oriente Médio e a alta do petróleo ampliam a procura por ativos de proteção. Ainda assim, o fortalecimento do dólar e os rendimentos elevados dos títulos do Tesouro americano limitam ganhos mais intensos.
No campo macroeconômico, o mercado segue ajustando as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos. Juros elevados por mais tempo reduzem a atratividade do ouro, já que o ativo não oferece rendimento, o que pode pressionar os preços no curto prazo.