O pagamento do 13º salário no fim do ano representa um momento decisivo para o orçamento dos trabalhadores brasileiros. Segundo Eduardo de Freitas, CFO da Contabilizei, o recurso pode ser utilizado para ajustar pendências, fortalecer a segurança financeira e iniciar investimentos. As recomendações do executivo reúnem práticas que ajudam a estruturar o planejamento financeiro para 2026 de forma mais estável.
A primeira etapa para usar o valor com estratégia, conforme Freitas, é realizar um diagnóstico das finanças pessoais. Esse levantamento inicial envolve identificar dívidas, analisar despesas futuras e avaliar a existência de uma reserva de emergência. O especialista afirma que essa sequência permite entender onde o 13º salário gera maior impacto.
No caso das dívidas, Freitas orienta que o trabalhador avalie o saldo devedor e compare o total das pendências com a capacidade mensal de pagamento. Ele aponta que, em situações de dívidas elevadas, destinar o 13º para quitar ou amortizar parcelas reduz o efeito dos juros compostos. O executivo explica que priorizar compromissos com juros maiores, como cartão de crédito e cheque especial, evita que o orçamento continue comprometido nos meses seguintes.
A segunda etapa do diagnóstico é voltada para a organização das despesas. De acordo com Freitas, mapear custos fixos e sazonais permite prever o que será necessário no início do ano. O cálculo inclui pagamentos como aluguel, contas de serviços, mensalidades, assinaturas, IPVA, IPTU e material escolar. Conforme o especialista, registrar esses valores em uma planilha, aplicativo ou anotações manuais facilita a visualização do impacto no orçamento. Com isso, o 13º salário pode ser direcionado de forma preventiva, sem pressionar o orçamento mensal.
A terceira fase envolve a avaliação do risco financeiro. Freitas destaca que, após organizar dívidas e despesas, o foco deve ser a reserva de emergência. Segundo o especialista, esse valor deve cobrir entre seis e doze meses de gastos fixos, variando conforme a estabilidade profissional. Pessoas com renda variável ou em áreas com maior rotatividade precisam considerar um período maior. Quem ainda não possui reserva pode usar o 13º como primeiro aporte, evitando a necessidade de recorrer a empréstimos em situações inesperadas.
Quando há dúvida sobre quitar dívidas ou investir, Freitas afirma que a taxa de juros é o fator determinante. Se o custo efetivo total da dívida supera o rendimento possível de uma aplicação, a recomendação é priorizar o pagamento do débito. Segundo o executivo, apenas dívidas com juros baixos e sob controle permitem que parte do valor seja destinada aos investimentos.
Em relação às alternativas de investimento para iniciantes, Freitas indica opções de renda fixa. Conforme o especialista, títulos públicos como o Tesouro Selic são considerados de menor risco e oferecem liquidez diária, o que permite resgate rápido. Os CDBs com liquidez diária e cobertura do FGC também aparecem como alternativas, desde que emitidos por instituições com solidez financeira. Já os fundos de renda fixa oferecem diversificação por meio da gestão profissional, exigindo atenção às taxas de administração que podem reduzir o rendimento final.
Freitas avalia que o 13º salário também pode atuar como ferramenta para quem enfrenta orçamento reduzido. Ele afirma que o valor permite negociar dívidas, especialmente em pagamentos à vista, e obter descontos que aliviam o orçamento nos meses seguintes. Janeiro e fevereiro costumam concentrar despesas elevadas, como impostos e material escolar, motivo pelo qual o especialista recomenda adotar postura preventiva. Além disso, iniciar uma reserva, ainda que com um valor reduzido, pode evitar a necessidade de empréstimos no começo do ano.
O executivo também aponta que antecipar contas com desconto e revisar contratos recorrentes são formas de reorganizar o orçamento. Esse processo amplia a previsibilidade financeira e permite iniciar 2026 com menos riscos. Conforme Freitas, o 13º salário pode representar um ponto de virada para quem deseja estruturar hábitos financeiros mais estáveis, especialmente quando combinado com revisão de gastos e criação de metas de curto e médio prazo.