Bitcoin recua após recorde histórico e reacende debate sobre segurança do investimento

Após atingir US$ 125 mil em outubro, a criptomoeda perde força e volta a ser negociada abaixo dos US$ 100 mil em meio à aversão global ao risco e à queda de liquidez
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O Bitcoin, principal ativo digital do mercado, vive um momento de instabilidade após a euforia recente. Depois de alcançar o recorde de US$ 125 mil em outubro de 2025, a criptomoeda iniciou novembro em queda, acumulando desvalorização de cerca de 8% e sendo negociada abaixo dos US$ 100 mil na sexta-feira (7).

De acordo com o economista e sócio da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, o movimento reflete o aumento da aversão global ao risco. “O Bitcoin é amplamente impactado quando o apetite a risco desaparece. É um ativo que amplifica movimentos de queda em períodos de aversão, por isso exige cautela de quem investe”, afirmou.

O cenário macroeconômico mais restritivo, com incertezas no sistema financeiro americano e busca por ativos de maior segurança, levou investidores a reduzir posições em criptomoedas. A queda na liquidez e as liquidações forçadas em derivativos expuseram a fragilidade estrutural do mercado. Relatórios recentes apontam que o volume de ordens e a profundidade das negociações diminuíram, o que tem ampliado a volatilidade.

Sharau avaliou que, embora os avanços regulatórios e a popularização dos ETFs de Bitcoin tragam mais estrutura ao setor, o risco permanece. “Não há calmaria automática só porque agora há mais infraestrutura ou ETFs; o risco permanece, principalmente para perfis mais conservadores”, destacou.

Análise de risco e perfil do investidor

A recente volatilidade reacendeu a dúvida entre investidores sobre manter ou não o ativo na carteira. Segundo Sharau, a decisão depende do perfil e do horizonte de investimento. Ele ressaltou que investidores conservadores e moderados devem ter cautela, já que o Bitcoin pode gerar perdas expressivas em prazos curtos.

Para investidores com perfil mais arrojado, o ativo pode ter papel estratégico de diversificação ou proteção parcial contra inflação e flutuações cambiais. “Pequenas fatias entre 2% e 5% do portfólio historicamente ajudam a melhorar a fronteira de eficiência da carteira. Mas é fundamental ter consciência de que o Bitcoin é um ativo de risco elevado”, observou o economista.

Sharau recomendou que o ingresso no mercado ocorra de forma gradual, com aportes periódicos — estratégia conhecida como dollar cost averaging (DCA) —, e que sejam priorizadas plataformas com boa governança e custódia qualificada. Ele também reforçou a importância de manter uma reserva de liquidez em ativos mais seguros.

Perspectivas e cautela no mercado

A desaceleração do Bitcoin também reflete o enfraquecimento da economia global e a mudança de postura de investidores institucionais, que reduziram novas alocações após o pico de valorização.

Ainda assim, Sharau avaliou que a trajetória de longo prazo do ativo dependerá da adoção institucional, do ambiente regulatório e da evolução tecnológica. “Regulação vem para estruturar a infraestrutura, mas não elimina a oscilação de preço no curto prazo. O Bitcoin continua sendo uma opção interessante para quem entende o risco e o enxerga como parte de uma estratégia maior, não como aposta isolada”, concluiu.

Em um contexto de liquidez reduzida e sentimento de “medo extremo” entre investidores, especialistas recomendam prudência. O Bitcoin permanece como um ativo relevante e inovador, mas que requer avaliação racional e planejamento estratégico.

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