O dólar comercial iniciou a terça-feira (30) próximo de R$ 5,31, com leve queda em relação ao fechamento anterior. O movimento foi influenciado pela cautela dos investidores em relação à política monetária dos Estados Unidos e pelas incertezas fiscais no Brasil.
No cenário externo, o Federal Reserve mantém postura conservadora sobre cortes de juros, o que sustenta a atratividade dos títulos norte-americanos. Esse comportamento fortalece o dólar frente a moedas globais e pressiona países emergentes, como o Brasil.
No ambiente interno, o mercado acompanha as decisões do Banco Central em relação à Selic, diante de uma inflação mais persistente. Analistas avaliam se o ciclo de cortes de juros poderá ser interrompido. Além disso, há preocupação com o cumprimento da meta fiscal de 2025, fator que pode gerar maior procura por proteção cambial.
De acordo com especialistas, eventuais dificuldades na execução do orçamento ou flexibilização das metas fiscais podem ampliar a desvalorização do real frente ao dólar nos próximos meses.
Enquanto isso, o ouro encerrou setembro de 2025 em forte valorização. Nesta terça-feira (30), a cotação spot atingiu US$ 3.866,90 por onça, novo recorde histórico, enquanto contratos futuros para dezembro foram negociados a US$ 3.894,90, alta de cerca de 1% no dia.
Segundo Mauriciano Cavalcante, diretor de ouro da Ourominas, o metal acumula valorização superior a 12% em setembro, o melhor desempenho mensal em 14 anos. A alta é sustentada por incertezas fiscais nos Estados Unidos, risco de paralisação do governo, expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve e maior demanda internacional.
A desvalorização do dólar global, o aumento da entrada em fundos de ouro (ETFs) e a compra contínua por bancos centrais também contribuíram para o avanço da cotação. Projeções de mercado já indicam a possibilidade de o ouro ultrapassar US$ 4.000 por onça ainda em 2025, caso o ambiente de incerteza se mantenha.