Copom inicia queda da Selic e observa impacto de crise internacional

Corte dos juros ocorre com inflação acima da meta e incertezas sobre cenário geopolítico
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária iniciou nesta quarta-feira (18) um novo ciclo de cortes na taxa Selic ao reduzir os juros em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, em decisão alinhada às expectativas do mercado. O movimento ocorre em meio a incertezas no cenário internacional e marca o início da flexibilização da política monetária no Brasil.

De acordo com análise de Marcos Freitas, da AF Invest, o corte já era amplamente esperado. No entanto, segundo ele, o comunicado apresentou um tom considerado mais brando, especialmente nas projeções de inflação. A estimativa para o horizonte relevante subiu de 3,2% para 3,3%, abaixo do que parte do mercado previa.

Ainda conforme o analista, o Banco Central pode ter realizado ajustes no modelo de projeção, hipótese que deve ser esclarecida com a divulgação da ata. Além disso, o comunicado trouxe poucas mudanças, destacando uma atividade econômica em desaceleração e inflação acima da meta, porém sem reforço mais incisivo nesse ponto.

Outro fator mencionado foi o cenário externo. O documento citou o conflito no Oriente Médio, mas enfatizou o grau de incerteza, sem indicar impacto direto relevante sobre a inflação neste momento. Assim, segundo a avaliação, o Banco Central opta por acompanhar os desdobramentos antes de alterar o ritmo da política monetária.

O economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, afirmou: “O Copom decidiu cortar a taxa básica de juros em 0,25p.p. para 14,75% a.a., confirmando nossas expectativas.” Ele acrescentou que o comitê destacou a incerteza externa, ligada ao conflito no Oriente Médio, além da desaceleração da economia e da resiliência do mercado de trabalho. Segundo Serrano, o Banco Central não sinalizou o próximo passo, que dependerá do cenário.

No setor imobiliário, o início do ciclo de queda da Selic já gera reflexos. A redução dos juros tende a aumentar o apetite por crédito, tanto por parte das instituições financeiras quanto dos consumidores. Segundo o especialista Murilo Arjona, o impacto vai além das taxas e envolve uma mudança de comportamento no mercado.

“O melhor movimento é o aumento do apetite dos bancos para emprestar e dos clientes para comprar. Isso é o que realmente muda o mercado imobiliário.”

Além disso, com a redução da atratividade da renda fixa, parte dos investimentos tende a migrar para ativos reais, como imóveis. Esse movimento, conforme avaliação do especialista, pode elevar a demanda e pressionar os preços, especialmente em um cenário de custos de construção ainda elevados.

Dados do Boletim Focus já indicavam a expectativa de queda gradual da Selic ao longo do ano. Nesse contexto, o início do ciclo reforça a perspectiva de um ambiente mais favorável ao crédito, embora ainda condicionado ao cenário internacional.

Por fim, especialistas apontam que a continuidade e o ritmo dos cortes dependerão da evolução das tensões geopolíticas e do comportamento da inflação. Caso haja maior estabilidade externa, a possibilidade de aceleração no ritmo de redução dos juros permanece no radar do mercado.

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