Brasil só deve alcançar juros de um dígito com melhora fiscal, afirma Campos Neto

Ex-presidente do Banco Central diz que trajetória sustentável para reduzir juros depende de avanço fiscal e comenta projeções econômicas e efeitos tecnológicos
Roberto Campos Neto, vice-chairman e chefe global do Nubank | Foto: Bruna Lopes
Roberto Campos Neto, vice-chairman e chefe global do Nubank | Foto: Bruna Lopes

Roberto Campos Neto, vice-chairman e chefe global do Nubank, afirmou durante participação no LIDE Brasil França Fórum, em Paris, nesta quinta-feira (27), que o Brasil só deve alcançar juros de um dígito com um avanço consistente na área fiscal. Segundo ele, “para a gente ter uma queda de juros que faça diferença em termos de produtividade e de planejamento de longo prazo, ter um juros no Brasil de um dígito” depende de um “choque positivo na área fiscal”.

O executivo declarou que há expectativa de redução da taxa básica nas próximas decisões, embora tenha ressaltado que a trajetória estrutural depende do equilíbrio fiscal. Conforme sua análise, a economia brasileira deve registrar desaceleração, com previsão de queda de 0,9% no terceiro trimestre e crescimento anual entre 2,1% e 2,2%.

Campos Neto explicou que o mercado de trabalho segue apertado e que a inflação acumulada em 12 meses está em 4,65%, índice que ainda permanece acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Ele mencionou que esses fatores influenciam a postura da política monetária, que continua avaliando o ritmo de atividade e a evolução dos preços.

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