BC mantém Selic em 15% e inicia novo estágio de política monetária

Ata do Copom destaca necessidade de juros altos por período prolongado para garantir convergência da inflação à meta.
Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

O Banco Central informou nesta terça-feira (23), por meio da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que a taxa Selic permanecerá em 15% ao ano em um novo estágio de política monetária. O colegiado decidiu interromper o ciclo de alta dos juros e manter o patamar atual para avaliar se a estratégia será suficiente para levar a inflação à meta.

De acordo com o documento, “na medida em que o cenário tem se delineado conforme esperado, o Comitê inicia um novo estágio em que opta por manter a taxa inalterada e seguir avaliando se, mantido o nível corrente por período bastante prolongado, tal estratégia será suficiente para a convergência da inflação à meta”.

Na semana passada, o Copom havia decidido, de forma unânime, manter a Selic em 15% ao ano. O BC ressaltou que o ambiente ainda é de incerteza e que será necessário avaliar os impactos acumulados da política monetária antes de qualquer alteração no ritmo da taxa.

A ata também destacou que a política fiscal permanece como fator central de risco para a inflação. Segundo o Copom, esse risco pode se dar tanto no curto prazo, por meio do estímulo à demanda, quanto de maneira estrutural, ao comprometer a percepção de sustentabilidade da dívida pública.

O colegiado afirmou que, apesar de sinais de moderação na atividade econômica e do recuo parcial das expectativas de inflação, as pressões sobre os preços, especialmente nos serviços, continuam elevadas. Nesse cenário, defendeu a manutenção da política monetária em patamar contracionista por período prolongado.

O documento ainda ressaltou que a combinação de incertezas sobre reformas, expansão do crédito direcionado e dúvidas em relação à estabilização da dívida pública pode elevar a taxa de juros neutra da economia. Esse movimento, segundo o Copom, reduziria a eficácia da política monetária e aumentaria o custo do processo de desinflação. O colegiado reforçou que políticas fiscal e monetária devem atuar de forma “harmoniosa” para que a inflação convirja à meta estabelecida.

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