O Carnaval de 2026 deve ser marcado pela permanência em casa para 73,2% dos brasileiros, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Hibou em parceria com a Score Group entre segunda-feira (2) e quarta-feira (4), em todo o país. O levantamento, feito com 1.714 pessoas maiores de 18 anos, indica que apenas 7,3% pretendem participar de blocos de rua e 4,6% planejam viajar para a praia.
De acordo com o estudo, o feriado passou a ser encarado por parte da população como um período de descanso. Enquanto 48% afirmam que vão maratonar filmes e séries, 36,3% pretendem dormir mais e 27,3% dizem que não querem realizar nenhuma atividade específica. Além disso, 27% mencionam que farão faxina e 21,5% planejam ler livros. Apenas 16,1% pretendem assistir aos desfiles pela televisão.
No consumo de plataformas digitais, a Netflix aparece como a mais citada, com 62,5% das menções. Em seguida estão Amazon Prime Video, com 29,7%, e YouTube, com 24,4%.
“O brasileiro está usando o feriado para recuperar o fôlego mental. E com mais da metade das pessoas considerando a data como um descanso para a mente, a indústria do entretenimento doméstico e do delivery ganha um apelo gigantesco, enquanto a folia de rua luta para manter seu apelo diante de uma população exausta”, analisa Ligia Mello, CSO da Hibou.
Cardápio e consumo doméstico
Entre os alimentos mais citados para o período estão churrasco, com 11%, pizza, com 9%, e pedidos por delivery, com 7%. Sorvete também aparece com 7%, seguido de comidas congeladas, lanches e massas. Já nas bebidas, a água lidera com 55%, seguida por sucos, com 49,3%, e refrigerantes, com 46,1%. A cerveja e o vinho são mencionados por 25%, enquanto 15,3% citam destilados.
Além disso, 73,2% dos tutores afirmam que seus animais de estimação permanecerão em casa durante o feriado. Para 51,8% dos entrevistados, o Carnaval é definido como “descanso para a mente”, enquanto 25,4% consideram o período como momento de convivência familiar.
Segurança e infraestrutura pesam na decisão
Entre aqueles que ainda pretendem sair, a pesquisa aponta que 57,8% demonstram preocupação com a segurança nas ruas. Outros 24,5% citam preços elevados de bebidas como fator de insatisfação. Já a dificuldade de encontrar banheiros foi apontada por 81,2% como o principal problema enfrentado em blocos, seguida pela falta de segurança e pela superlotação.
“A insegurança é o grande balde de água fria do Carnaval moderno. Quando mais da metade da população aponta o medo como uma barreira, o consumo se retrai para ambientes controlados. O folião quer diversão, mas não abre mão da integridade física”, pontua Ligia Mello.
Mudança de comportamento e impacto econômico
O levantamento também indica que 40,2% acreditam que o país ainda retoma o ritmo apenas após o Carnaval, enquanto 22,1% consideram que essa percepção já não corresponde à realidade. No campo musical, as marchinhas lideram com 43,3%, seguidas por axé e samba.
No aspecto financeiro, 49,4% afirmam que pretendem gastar até R$ 250 além das despesas habituais. Outros 22,9% dizem que não pretendem gastar nada extra. Apenas 0,4% projetam gastos superiores a R$ 4 mil. Entre os 10,1% que planejam viajar, 72,6% afirmam que utilizarão carro próprio.
“O que a pesquisa mostra não é um desinteresse pelo Carnaval, mas uma mudança clara de território de consumo. O brasileiro continua querendo viver o clima da data, só que agora em ambientes controlados, confortáveis e mais previsíveis. Para as marcas, isso desloca a atenção da rua para a casa, da ativação física para a experiência integrada entre conteúdo, digital, delivery e entretenimento. O Carnaval de 2026 é menos sobre presença e mais sobre pertinência”, analisa Albano, CSO da Score.
Entre as figuras públicas associadas à festa, Ivete Sangalo é citada por 19% dos entrevistados, seguida por Paolla Oliveira, com 16,1%, e Viviane Araújo, com 8,6%. Já nas redes sociais, o Instagram lidera como principal vitrine do período, com 56,2% das menções, seguido por Facebook e pelo próprio YouTube.
A pesquisa Carnaval 2026 tem margem de erro de 2,3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e abrangeu respondentes das classes ABCDE em todo o território nacional, por meio de painel digital.