A exportação total de café do Brasil, incluindo grãos processados, deve encerrar 2025 entre 40 milhões e 41 milhões de sacas de 60 quilos, segundo informou nesta quinta-feira (2) o diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Eduardo Heron. A projeção representa uma redução próxima de 20% em relação ao recorde de 50,58 milhões de sacas registradas no ano passado.
De acordo com Heron, a queda nos embarques é resultado de estoques reduzidos após o desempenho recorde de 2024, colheitas abaixo do esperado e das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos, principal comprador do café brasileiro. “Logicamente, não vamos ver as exportações em volumes nos patamares do ano anterior ou próximas daquilo”, afirmou o diretor, durante evento promovido pela consultoria Safras & Mercado.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 25,3 milhões de sacas, sendo 22,8 milhões de café verde, conforme dados do Cecafé. O volume total é 20,9% menor que o registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo Heron, o cenário começou a melhorar em setembro com o avanço da nova safra de café arábica. “Nós veremos exportações acima de 3 milhões (de sacas), talvez chegando a 3,5 milhões, esta é a expectativa para setembro”, disse. O governo ainda não divulgou os números oficiais do mês.
Em agosto, o país exportou 3,1 milhões de sacas, das quais 2,9 milhões foram de grãos verdes. O diretor explicou que, caso o ritmo de embarques se mantenha nos próximos três meses, o total exportado em 2025 deve alcançar o intervalo de 40 a 41 milhões de sacas.
Os embarques para os Estados Unidos, que passaram a adotar tarifas mais altas em agosto, somaram 4 milhões de sacas até aquele mês, cerca da metade de todo o volume enviado em 2024. Heron estimou que as exportações mensais ao mercado norte-americano devem ficar em torno de 350 mil sacas até o fim do ano, totalizando aproximadamente 5 milhões em 2025.
O executivo reiterou a defesa do Cecafé pela retomada de negociações entre os governos brasileiro e norte-americano para a retirada das tarifas. Ele destacou que o setor demonstrou otimismo após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, na semana passada.
Heron mencionou ainda que as exportações de café canéfora (robusta/conilon) registram retração neste ano. Entre janeiro e agosto, os embarques dessa variedade totalizaram cerca de 2,5 milhões de sacas, ante mais de 6 milhões no mesmo período de 2024.
Além disso, questões logísticas continuam a impactar os envios de café, especialmente no segundo semestre, quando há aumento no volume de exportações de outras commodities, como algodão e açúcar.