O Brasil tem potencial para liderar a transição global para uma agricultura de baixo carbono ao apostar na produção de soja de baixa emissão e em práticas regenerativas. A avaliação foi apresentada nesta sexta-feira (26) pela Head de ESG e Comunicação Corporativa da CJ Selecta, Patricia Sugui, durante a RTRS International Conference 2025, realizada em São Paulo.
Segundo a executiva, o país pode ampliar sua presença em mercados internacionais que exigem rastreabilidade e sustentabilidade. Entretanto, ainda enfrenta desafios, como metodologias estrangeiras que não consideram a realidade tropical e uma imagem internacional da soja brasileira frequentemente associada ao desmatamento.
Com atuação na cadeia da soja por meio do concentrado proteico SPC, a CJ Selecta tem adotado estratégias para mensurar com precisão as emissões de gases de efeito estufa, utilizando dados primários de fornecedores e análise via satélite da mudança no uso da terra. Para Patricia, esse trabalho é essencial não apenas para atender exigências comerciais, mas também para reforçar a agenda de resiliência climática.
“A pegada de carbono é, na prática, um recorte do ciclo de vida dos produtos que mede suas emissões de gases de efeito estufa. Ela torna a sustentabilidade mensurável. Porém, os números atribuídos à soja brasileira muitas vezes não correspondem à realidade”, afirmou Patricia.
A executiva destacou que bases internacionais costumam superestimar as emissões, ao ignorar práticas locais como rotação de culturas, uso de cobertura vegetal, biotecnologia e manejo racional de fertilizantes. De acordo com Patricia, estudo realizado pela empresa mostrou que a pegada de carbono do SPC não transgênico foi de 0,617 tonelada de CO₂ equivalente por tonelada de produto, índice muito abaixo da média internacional atribuída ao Brasil, de 4 a 6 toneladas.
Ela explicou que até 80% das emissões podem estar ligadas à mudança no uso da terra, variável que a empresa conseguiu reduzir ao assegurar o não desmatamento nas áreas fornecedoras. Segundo a CJ Selecta, o resultado também foi possível com uso de energia renovável e logística regionalizada.
Apesar do alto custo dos processos de monitoramento, reporte e verificação, Patricia afirmou que os mercados já priorizam produtos de baixa emissão e que o Brasil pode ganhar protagonismo ao adotar práticas regenerativas. “Hoje, o mercado ainda não remunera amplamente os produtores por carbono evitado, mas já reconhece e prioriza produtos de baixa emissão”, disse.
Ela defendeu ainda avanços regulatórios no Brasil, como a criação de um mercado de carbono estruturado, prêmios verdes e incentivos financeiros que possam estimular produtores a adotar novas práticas. “Precisamos fortalecer uma nova narrativa sobre a soja brasileira. Existe uma agricultura regenerativa sendo praticada no país, com capacidade de alimentar o mundo sem agredir o meio ambiente”, reforçou.