Alta do petróleo leva empresas a rever custos nas importações

Planejamento, controle emocional e revisão de preços estão entre as medidas apontadas por especialista
Jan van der Wolf
Jan van der Wolf

A alta do petróleo no mercado internacional, em meio à guerra no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, passou a pressionar os custos de empresas brasileiras que dependem de importações. Com o barril do Brent superando a marca de US$ 100 pela primeira vez em quatro anos, segundo dados do mercado global, o encarecimento do frete e a valorização do dólar ampliam o impacto sobre operações de compra no exterior. Diante desse cenário, Rodrigo Giraldelli, especialista em importação China-Brasil e CEO da China Gate, orienta que o momento exige planejamento, revisão de custos e cautela na tomada de decisões.

Segundo Giraldelli, períodos de conflito costumam elevar a volatilidade e gerar interpretações divergentes sobre o comportamento do mercado. Por isso, ele afirma que o principal passo é preservar a racionalidade na condução dos negócios. “Períodos de guerra trazem muitas previsões divergentes e um ambiente de ansiedade. O empresário precisa manter a calma e evitar decisões precipitadas baseadas no pânico”, afirma.

A primeira recomendação, conforme o especialista, é evitar mudanças impulsivas nas operações. Em vez de suspender pedidos ou interromper contratos, a orientação é analisar o cenário com base em dados, prazos e margens. Dessa forma, as empresas conseguem reduzir riscos sem comprometer a continuidade do abastecimento.

Além disso, Giraldelli destaca a importância de acompanhar a cotação do dólar, mas sem alarmismo. Embora a moeda norte-americana esteja em valorização, ele avalia que o patamar ainda permanece administrável para empresas habituadas à importação. “O patamar atual é operacional para quem já importa, mas é importante monitorar se esse movimento se tornar estrutural”, explica.

Outro ponto citado é o impacto do petróleo sobre o frete internacional. Embora o aumento da commodity pressione os custos logísticos globais, o especialista observa que nem todas as rotas sofrem os mesmos efeitos. No eixo China-Brasil, por exemplo, a avaliação é de que não há perspectiva de interrupções relevantes no fluxo comercial. “Os aumentos no frete estão mais ligados à incerteza global e ao custo de seguros do que a bloqueios efetivos”, diz.

Ao mesmo tempo, ele recomenda que as empresas atualizem imediatamente suas planilhas de custos. Com a elevação do combustível e a oscilação cambial, revisar margens, preços de venda e despesas logísticas passa a ser uma medida necessária para evitar perdas financeiras e preservar a competitividade.

Por fim, Giraldelli reforça que a manutenção do foco no cliente e na continuidade das operações pode representar uma vantagem em momentos de retração do mercado. “Ele muda de perfil, mas continua existindo. Empresas que mantêm suas operações ativas tendem a ganhar espaço enquanto concorrentes recuam”, conclui Rodrigo Giraldelli.

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