Dólar cai a R$ 5,15 e ouro sobe com trégua entre Irã e EUA

Movimento dos mercados nesta segunda-feira (6) reflete alívio geopolítico, queda do petróleo, revisão do Focus e nova leitura sobre os juros nos Estados Unidos.
Karolina Gabrowski
Karolina Gabrowski

O dólar iniciou a sessão de segunda-feira (6) em queda, cotado próximo de R$ 5,14 e oscilando em torno de R$ 5,15, enquanto o ouro registrou leve alta no mercado internacional. Segundo boletins divulgados pela Ourominas, o movimento foi influenciado pela perspectiva de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, pela queda do petróleo e pela reavaliação das apostas sobre a política monetária norte-americana.

De acordo com o diretor de Câmbio da Ourominas, Elson Gusmão, a moeda norte-americana perdeu força em meio ao maior apetite global por risco. Com isso, investidores reduziram posições defensivas em dólar e ampliaram a busca por ativos de maior retorno, favorecendo moedas de países emergentes e fortalecendo o fluxo cambial para esses mercados.

No cenário internacional, o mercado reagiu à informação de que Irã e Estados Unidos receberam um plano elaborado pelo Paquistão prevendo cessar-fogo imediato e negociação de um acordo mais amplo. Conforme a avaliação da instituição, esse avanço reduziu parte das tensões geopolíticas e diminuiu a procura por ativos tradicionalmente considerados proteção.

Além disso, a queda do petróleo contribuiu para o movimento. Com a commodity em baixa, o mercado passou a enxergar menor pressão inflacionária global. Como consequência, aumentou a percepção de que o Federal Reserve poderá adotar uma postura menos restritiva nos próximos meses, fator que também pressionou o dólar.

No Brasil, o mercado também acompanhou a atualização do boletim Focus. A projeção para o IPCA de 2026 subiu para 4,36%, na quarta revisão consecutiva para cima. Segundo analistas, o dado mantém o foco dos investidores sobre os próximos passos da política monetária brasileira e sobre os reflexos para o câmbio.

Na agenda desta segunda-feira (6), investidores monitoram indicadores econômicos dos Estados Unidos, além de discursos de dirigentes do Fed. Ao mesmo tempo, dados domésticos seguem no radar e podem influenciar o comportamento do dólar ao longo do pregão.

Já o ouro abriu a sessão em leve alta no exterior, com a onça troy cotada na faixa de US$ 4.702. No mercado brasileiro, o metal era negociado em torno de R$ 773 por grama do ouro 24 quilates, conforme informou o economista da Ourominas, Mauriciano Cavalcante.

Segundo a análise, a valorização do metal acompanha o enfraquecimento do dólar e a recomposição de posições por parte dos investidores. Ainda que a expectativa de avanço nas negociações entre Irã e Estados Unidos tenha reduzido parte da aversão ao risco, o cenário internacional continua cercado por incertezas, o que sustenta a demanda pelo ouro.

Apesar da alta, o avanço do metal foi moderado. O mercado segue cauteloso após indicadores recentes dos Estados Unidos reduzirem as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve ainda neste ano. Dessa forma, os próximos dados econômicos e o desdobramento das negociações geopolíticas devem seguir determinando o comportamento do ouro no curto prazo.

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