O dólar abriu em alta nesta terça-feira (3), cotado a R$ 5,24 no início das negociações no Brasil. Ao longo da manhã, a moeda passou a ser negociada próxima de R$ 5,27, refletindo um ambiente de maior cautela no mercado financeiro. O movimento ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e à repercussão dos dados do PIB brasileiro divulgados na véspera.
Segundo Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, a pressão compradora está associada a um cenário global de aversão ao risco. De acordo com ele, investidores têm buscado proteção em ativos considerados seguros, o que favorece o fortalecimento do dólar frente a moedas emergentes, como o real.
Além disso, o sentimento de cautela foi intensificado após ataques envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irã, ampliando a volatilidade no mercado internacional. Conforme analistas, em momentos de incerteza geopolítica, há migração de fluxos financeiros para a moeda americana, movimento que também foi observado na alta do dólar futuro registrada durante a manhã.
No cenário doméstico, investidores acompanham indicadores de atividade econômica, juros e contas públicas. Também está no radar a divulgação do Produto Interno Bruto de 2025, que apontou crescimento de 2,3%, conforme dados publicados na segunda-feira (2). O resultado influencia as expectativas em relação à condução da política monetária e fiscal nos próximos meses.
No exterior, o foco permanece na escalada do conflito no Oriente Médio. O petróleo se mantém acima de US$ 80, patamar que, segundo especialistas, tende a ampliar a aversão ao risco global. Esse cenário, por sua vez, reforça o fluxo para o dólar, tradicionalmente visto como ativo de proteção.
Analistas destacam que cada alta de aproximadamente 10% no preço do petróleo pode fortalecer a moeda americana entre 0,5% e 1%, em razão do aumento da busca por segurança. Ao mesmo tempo, o mercado acompanha as expectativas para o Federal Reserve, especialmente diante da mudança prevista na presidência do banco central dos Estados Unidos em maio, fator que adiciona incerteza à condução dos juros no país.
Por fim, dados recentes de inflação e atividade econômica nos Estados Unidos continuam influenciando as apostas do mercado sobre possíveis cortes de juros em 2026. Além do conflito no Oriente Médio, investidores também monitoram movimentos da China e da Rússia, considerados relevantes para o desempenho de moedas emergentes, incluindo o real.