A inovação chega a 2026 marcada por um novo estágio, menos orientado por expectativas e mais guiado por execução, eficiência e impacto mensurável nos negócios. Essa é a principal conclusão do relatório “Inovação 2026: agenda de valor para empresas e setores”, divulgado pelo Cubo Itaú, ecossistema de inovação da América Latina.
O estudo reúne perspectivas de mais de 25 lideranças empresariais, executivos, fundadores de startups e especialistas para analisar como tecnologia, comportamento, modelos de negócio e capital vêm se reorganizando em um cenário de maior pressão por resultados, custo de capital elevado e consumidores mais exigentes. Entre os participantes, estão representantes de empresas como Aché, Copa Energia e Nestlé.
Segundo o material, a inovação passa a ser avaliada prioritariamente pela capacidade de gerar valor concreto. Além da análise geral, o relatório apresenta recortes setoriais que abrangem áreas como agro, consumo, saúde, cibersegurança, construção, indústria, energia e finanças. Também são discutidos temas como governança de inteligência artificial, automação com controle, confiança no ambiente digital, eficiência operacional, requalificação profissional e experiência do usuário.
Entre os principais achados, o estudo aponta que a inteligência artificial deixa de ser uma funcionalidade isolada e passa a atuar como infraestrutura de produtividade e apoio à decisão, integrada aos fluxos operacionais. O relatório cita dados da BCG, segundo os quais empresas consideradas líderes em IA registram crescimento de receita 1,7 vez maior do que aquelas que ainda não escalaram a tecnologia, além de gerar 3,5 vezes mais patentes.
De acordo com Paulo Costa, CEO do Cubo Itaú, a diferença entre as empresas passa pela forma como a tecnologia é incorporada aos processos. “A inteligência artificial não é mais um tema do futuro, é uma camada estrutural do presente. O que separa as empresas líderes em 2026 não é quem adotou IA primeiro, mas quem conseguiu integrá-la aos seus processos, com governança, clareza de objetivos e impacto mensurável”, afirma.
O relatório também destaca o esgotamento do modelo de projetos que permanecem apenas na fase de testes, sem escala. Em um ambiente de orçamentos mais restritos, a inovação passa a ser questionada pela capacidade de gerar retorno financeiro, com métricas claras de ROI e responsabilidades definidas. Segundo o estudo, soluções que redesenham processos de ponta a ponta tendem a ganhar espaço.
No comportamento do consumidor, a mudança é descrita como gradual. Conforme a análise, cresce a demanda por experiências com menos atrito, maior curadoria e mais confiança. Nesse contexto, a tecnologia passa a operar de forma mais discreta, com foco em funcionalidade, bem-estar e apoio à tomada de decisão.
O estudo avalia ainda a maturação do ecossistema de startups e de venture capital. Dados de mercado indicam um ambiente mais seletivo, com maior rigor na avaliação das empresas, equipes mais enxutas e prazos mais longos até a liquidez. O capital, segundo o relatório, passa a priorizar modelos com governança, geração de caixa e menor dependência de diluição. O material afirma que, em 2026, são favorecidas organizações com capacidade de adaptação contínua.
Contribuíram para o relatório lideranças e especialistas de organizações como Itaú Unibanco, WGSN, RD Saúde, J&J Innovative Medicine, Saint-Gobain e Porto do Açu, além de executivos e fundadores de empresas da comunidade do Cubo Itaú.
O relatório “Inovação 2026: agenda de valor para empresas e setores” está disponível na íntegra no site do Cubo Itaú.