Organização financeira se torna prioridade nas empresas para enfrentar endividamento

Juros elevados, crédito restrito e margens menores levam empresários a buscar organização e estratégia para negociar passivos e manter a operação ativa
Flat lay of pastel stationery including a colorful calculator and pencils.
Katrin Bolovtsova
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Katrin Bolovtsova

Manter empresas em funcionamento em meio ao avanço das dívidas bancárias tem se tornado um desafio recorrente no ambiente empresarial brasileiro. Com juros elevados, maior seletividade no crédito e margens mais pressionadas, o desequilíbrio financeiro deixou de ser pontual e passou a integrar a rotina de negócios de diferentes portes e setores.

Dados do Sebrae, com base no Mapa de Empresas, indicam que cerca de 30% das empresas brasileiras operam em situação de desequilíbrio financeiro. Esse cenário, conforme o levantamento, costuma anteceder quadros de inadimplência formal e encerramento precoce das atividades.

Especialistas avaliam que o principal risco não está apenas na existência da dívida, mas na falta de controle sobre ela. Segundo Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em reestruturação empresarial, a dificuldade se intensifica quando gestores perdem clareza sobre números, contratos e obrigações futuras. “Quando a dívida aperta, muitos gestores passam a decidir no escuro. Sem diagnóstico, qualquer movimento vira reação, não estratégia”, afirma.

Levantamentos do Sebrae apontam que a má gestão financeira figura entre as principais causas do fechamento de empresas no país. Ainda assim, de acordo com Pelozato, é comum que empresários busquem organização financeira ou apoio técnico apenas quando a pressão bancária já compromete o caixa. “É comum encontrar empresas que não sabem exatamente quanto devem, para quem devem e em quais condições. Isso enfraquece qualquer tentativa de negociação”, explica.

A reorganização financeira, segundo o especialista, envolve etapas práticas, como o mapeamento completo do passivo, a separação entre dívidas operacionais, bancárias e tributárias, além da revisão de contratos e da análise de direitos antes da negociação com credores. Esse processo, conforme a avaliação, contribui para devolver previsibilidade ao negócio. “Quando o empresário entende seus números e conhece as regras do jogo, a dívida deixa de ser um peso emocional e passa a ser apenas um número, controlável e planejável”, diz.

O cenário macroeconômico reforça a necessidade de método e planejamento. Dados do Banco Central indicam que o custo do crédito permaneceu elevado ao longo de 2024 e 2025, reduzindo a margem para improvisações. Nesse contexto, empresas sem organização financeira tendem a aceitar renegociações em condições desfavoráveis ou recorrer a soluções emergenciais que ampliam o risco futuro.

Para Pelozato, retomar o controle financeiro não implica eliminar dívidas de forma imediata, mas recuperar a capacidade de decisão estratégica. “A empresa continua respirando quando há estratégia. Organização, negociação técnica e clareza sobre o próprio cenário financeiro são o que permitem atravessar períodos de aperto sem perder o comando”, conclui.

Em um ambiente marcado por crédito mais restrito e maior pressão sobre o caixa, especialistas avaliam que a leitura financeira e a negociação estruturada devem se tornar fatores determinantes para a sobrevivência e a retomada sustentável das empresas nos próximos anos.

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