O dólar encerrou a segunda-feira (22) em alta firme frente ao real, impulsionado principalmente pelo aumento das remessas de recursos ao exterior típicas do fim de ano. Em um pregão marcado por baixa liquidez, em função do feriado de Natal, a moeda norte-americana avançou mesmo em um ambiente externo mais favorável a outras divisas.
No mercado à vista, o dólar fechou com valorização de 0,97%, cotado a R$ 5,5844. Apesar do avanço no dia, a divisa ainda acumula queda de 9,62% no ano. Já o contrato de dólar futuro para janeiro, o mais negociado na B3, subiu 0,67% e terminou a sessão aos R$ 5,5940.
Operadores relataram que o principal fator de pressão foi o fluxo intenso de saída de recursos, com empresas e fundos ampliando o envio de juros e dividendos para fora do país. Esse movimento ganhou força ao longo do pregão e levou o câmbio a se aproximar do patamar de R$ 5,60, mesmo com o dólar registrando perdas frente à maioria das moedas no exterior.
A antecipação das remessas está ligada, em parte, a mudanças tributárias previstas para 2026. A partir de janeiro, deixará de valer a isenção de imposto de renda sobre envios de recursos ao exterior, que passarão a ser tributados em 10%. Além disso, dividendos recebidos acima de R$ 50 mil mensais também serão taxados na mesma alíquota, incentivando a antecipação das operações.
Com o Congresso Nacional em recesso e sem divulgação de indicadores relevantes no Brasil ou no exterior, o mercado operou praticamente guiado pelo fluxo financeiro. Ainda assim, investidores seguem atentos ao cenário político, especialmente às articulações em torno das eleições presidenciais de 2026 e à possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro manter sua candidatura contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No mercado comercial, o dólar encerrou o dia com compra a R$ 5,583 e venda a R$ 5,584, refletindo o movimento de valorização observado ao longo da sessão.