Lula viaja a Nova York para Assembleia da ONU em meio a atrito com governo Trump

Presidente brasileiro participa pela terceira vez da Assembleia Geral da ONU em mandato atual, em momento de tensão diplomática com Washington.
Ricardo Stuckert
Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (21) para Nova York, onde participará pela terceira vez da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em seu atual mandato. O evento, considerado prioridade na agenda internacional do governo, terá como destaque as negociações preparatórias para a COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém (PA).

Desde o primeiro mandato, Lula compareceu a todas as Assembleias, exceto em 2010, quando enviou o então chanceler Celso Amorim em seu lugar. O Brasil mantém a tradição de abrir o encontro com o discurso oficial, papel que o presidente desempenhou em 2023 e 2024.

A viagem ocorre no momento de maior desgaste da relação entre Brasil e Estados Unidos. O governo de Donald Trump anunciou tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Além disso, autoridades americanas revogaram vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e aplicaram a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, bloqueando ativos e transações sob jurisdição dos EUA.

Na semana passada, Lula publicou artigo no jornal “New York Times” afirmando que o Brasil “continua aberto a negociar qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos”, mas ressaltou que “a democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta”. No mesmo texto, ele contestou a acusação do governo americano de que a condenação de Bolsonaro foi uma “caça às bruxas” e defendeu a atuação do STF.

Segundo o presidente, a decisão da Suprema Corte representou uma “decisão histórica” que “salvaguarda nossas instituições e o Estado Democrático de Direito”. Bolsonaro e outros sete réus apontados como integrantes da tentativa de golpe foram condenados na última semana pela Primeira Turma do STF. Após o julgamento, Washington declarou que adotaria uma “resposta adequada” ao que chamou de perseguição política contra a oposição.

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