O Ibovespa teve uma sessão de alta consistente nesta segunda-feira e retomou níveis elevados após a recente volatilidade. O principal índice da B3 avançou 1,07%, aos 162.481,74 pontos, um ganho de 1.715,37 pontos. Durante o pregão, chegou a ultrapassar os 163 mil pontos, ao tocar a máxima de 163.073,14 pontos, reforçando o movimento de recuperação observado nos últimos dias.
No mercado de câmbio, o dólar comercial iniciou o dia em queda, mas virou para o positivo no meio da tarde e encerrou com alta de 0,23%, cotado a R$ 5,423. Já os juros futuros seguiram em sentido oposto e fecharam com quedas por toda a curva, refletindo o reforço das apostas em um cenário de política monetária menos restritiva à frente.
IBC-Br aponta contração e reforça leitura de desaceleração econômica
O principal gatilho do dia veio do noticiário econômico doméstico. O Banco Central divulgou o IBC-Br de outubro, indicador considerado uma prévia mensal do PIB, que mostrou retração de 0,2% na comparação com setembro. O resultado contrariou a mediana das projeções do mercado, que apontava crescimento de 0,1%, e reforçou a percepção de que a economia brasileira perdeu fôlego de forma mais intensa no início do quarto trimestre.
A leitura de desaceleração alimentou a expectativa de que o atual ciclo de política monetária altamente restritiva esteja próximo do fim, o que favoreceu ativos de risco, especialmente ações mais sensíveis à queda dos juros.
Cautela em Wall Street contrasta com força do mercado local
No exterior, o ambiente foi menos favorável. Os principais índices de Wall Street encerraram o dia no vermelho, em um movimento de cautela à espera dos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que começam a ser divulgados nesta semana, após o represamento provocado pela recente paralisação do governo norte-americano.
Apesar de o Federal Reserve ter promovido um novo corte de juros na semana passada, a autoridade monetária voltou a enfatizar a dependência de dados para as próximas decisões. Essa postura, no entanto, tem sido questionada internamente. Stephen Miran, indicado por Donald Trump para o Fed neste ano, afirmou que a defasagem dos indicadores compromete essa estratégia, o que adiciona incerteza ao cenário internacional.
Blue chips e bancos sustentam a alta do Ibovespa
Mesmo com o viés negativo externo, o mercado doméstico mostrou força, sustentado principalmente pelas blue chips. A Vale (VALE3) avançou 0,61%, enquanto a Petrobras (PETR4) teve alta de 0,35%, ambas contribuindo para o desempenho positivo do índice.
O setor bancário foi o principal fiador da sessão. Banco do Brasil (BBAS3) subiu 1,43%, Bradesco (BBDC4) avançou 1,39% e Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 1,51%. O Santander (SANB11) se destacou com valorização mais expressiva, de 3,10%, em movimento que ajudou a impulsionar o Ibovespa.
A B3 (B3SA3) também fechou em alta, com ganho de 0,56%, após divulgar suas projeções para os próximos anos. O mercado reagiu positivamente ao foco em um payout elevado em 2026, embora o guidance de custos tenha gerado alguma cautela entre os investidores.
No noticiário corporativo, a Braskem (BRKM5) passou por momentos de forte volatilidade, chegou a entrar em leilão e encerrou o dia em queda de 2,39%, após ter subido com força anteriormente, em meio às negociações envolvendo a venda da participação da Novonor.
Já a Azul (AZUL4) protagonizou o pior desempenho do dia. As ações despencaram 20,75%, com o mercado reagindo negativamente à perspectiva de forte diluição acionária associada ao avanço do processo de recuperação judicial via Chapter 11.