O pagamento do 13º salário, tradicional no fim de ano, abre espaço para reorganização financeira e planejamento de longo prazo. Em 2025, a remuneração extra deve injetar mais de R$ 320 bilhões na economia brasileira, segundo estimativa do Dieese. Embora grande parte desse valor seja direcionada ao consumo ou ao pagamento de dívidas, especialistas indicam que investir parte do montante na previdência privada pode contribuir para a formação de renda futura e gerar efeitos tributários positivos já na declaração do Imposto de Renda.
A previdência privada funciona como um complemento à aposentadoria pública e possui características específicas que podem favorecer o planejamento financeiro. Antes de investir, no entanto, é necessário compreender os modelos disponíveis e as regras de tributação aplicáveis.
Atualmente, o mercado oferece dois tipos principais de planos. O PGBL, Plano Gerador de Benefício Livre, é indicado para contribuintes que utilizam o modelo completo da declaração do Imposto de Renda. Esse plano permite deduzir até 12% da renda bruta tributável anual, o que reduz a base de cálculo do imposto. Já o VGBL, Vida Gerador de Benefício Livre, é mais comum entre quem opta pelo modelo simplificado ou já atingiu o limite de dedução do PGBL. Nesse caso, a tributação incide apenas sobre os rendimentos no momento do resgate.
Além disso, a previdência privada não sofre cobrança de come-cotas, mecanismo que antecipa imposto em fundos de investimento tradicionais, e permite a escolha do regime regressivo de tributação. Nesse modelo, a alíquota começa em 35% e pode cair para 10% após dez anos de aplicação, conforme o prazo de permanência dos recursos.
Em relação às alterações recentes no IOF, a incidência adicional se aplica apenas a aportes elevados em planos VGBL, acima de R$ 300 mil por ano em 2025 e de R$ 600 mil a partir de 2026. De acordo com as regras vigentes, os planos PGBL não são afetados por essa cobrança.
Planejamento diante das regras do INSS
O investimento em previdência privada também é citado como alternativa diante das regras atuais do sistema público de aposentadoria. Desde a Reforma da Previdência de 2019, mulheres podem se aposentar a partir dos 62 anos, com no mínimo 15 anos de contribuição, enquanto homens precisam ter 65 anos e ao menos 20 anos de recolhimento. O aumento da expectativa de vida, que alcança 76,4 anos no Brasil, reforça a necessidade de planejamento financeiro antecipado.
“A expectativa média do brasileiro está chegando a 76,4 anos — e isso exige um planejamento financeiro mais precoce. Transformar parte do 13º em um investimento de longo prazo é uma escolha estratégica para garantir segurança e independência financeira no futuro”, afirma Adriana Cássia Zandoná França, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Central Sicredi PR/SP/RJ.
Especialistas destacam que o início dos aportes pode ser feito com valores reduzidos e ajustados ao perfil do investidor. Entre as orientações estão separar uma parte do 13º salário, escolher um plano compatível com os objetivos financeiros, manter contribuições regulares e revisar o investimento periodicamente.
“O segredo é começar, independentemente da idade. O tempo potencializa os ganhos. Nunca é tarde, o importante é dar o primeiro passo”, diz Adriana.
Gestão e dados do setor
No caso do Sicredi, a gestão dos recursos de previdência é realizada pela Sicredi Asset, que administra mais de R$ 157 bilhões, conforme dados institucionais. A gestora foi reconhecida no Guia FGV de Fundos de Investimentos 2025 nas categorias Money Market, Atacado e entre os gestores especialistas do ano.
O Sicredi figura entre as maiores instituições financeiras do país, com R$ 418 bilhões em ativos totais, R$ 286 bilhões em depósitos e R$ 267 bilhões em carteira de crédito. O sistema cooperativo mantém mais de 3 mil agências em funcionamento e reúne mais de 9,5 milhões de associados em todo o Brasil.