O governo brasileiro vetou a participação dos Estados Unidos na reunião “Democracia Sempre”, marcada para terça-feira (23) em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU. A informação foi publicada neste sábado (20) pelo jornal Folha de S. Paulo.
O encontro é organizado por Brasil, Espanha, Uruguai, Colômbia e Chile e acontece pela segunda vez de forma paralela à assembleia. Na edição anterior, promovida apenas por Brasil e Espanha, cerca de 30 países participaram, entre eles os EUA.
De acordo com a Folha, uma fonte do governo brasileiro afirmou que apenas países considerados democráticos pelo Brasil foram convidados para o evento. O objetivo é discutir iniciativas para fortalecer instituições democráticas e preservar o ambiente político internacional.
Segundo apuração do Estadão/Broadcast, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a gestão do ex-presidente Donald Trump representa práticas contrárias ao que o grupo pretende debater.
A exclusão dos Estados Unidos ocorre em um momento de tensão entre os dois países. Em julho, Trump anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, alegando “relação comercial injusta” e mencionando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como justificativa.
Na semana passada, Lula publicou artigo no jornal The New York Times criticando a medida. No texto, defendeu que tarifas não devem ser usadas como solução para disputas comerciais e reiterou a defesa brasileira pelo multilateralismo.
Ainda de acordo com o Estadão/Broadcast, o governo brasileiro não deve buscar uma reunião com autoridades norte-americanas para discutir o tarifaço ou outros pontos da relação bilateral durante a Assembleia Geral da ONU.