O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira em queda consistente frente ao real, em um movimento de correção após as tensões recentes no câmbio. A desvalorização ocorreu enquanto os investidores avaliavam as decisões de política monetária do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve, além do enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior.
No mercado à vista, o dólar comercial terminou o dia cotado a R$ 5,408 tanto na compra quanto na venda. No segmento de turismo, a moeda foi negociada entre R$ 5,449 e R$ 5,629.
A quarta-feira foi marcada por duas decisões relevantes: o Copom manteve a Selic em 15% ao ano e o Federal Reserve reduziu os juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica para o intervalo entre 3,50% e 3,75%. Apesar de ambos os anúncios, nenhuma das autoridades sinalizou de forma clara os próximos passos. Jerome Powell mencionou a possibilidade de uma “pausa” no processo de flexibilização, sem descartar cortes adicionais já em janeiro. No caso brasileiro, mesmo com o tom mais duro do comunicado, as projeções atualizadas indicam que o IPCA pode convergir para o centro da meta já no início de 2026.
Enquanto o mercado doméstico tenta calibrar as expectativas para o início do ciclo de redução da Selic, no exterior prevalece a leitura de que o Fed deverá manter sua taxa inalterada na reunião de janeiro. A diferença entre os juros brasileiros e norte-americanos continua sendo um fator de sustentação para o real, favorecendo níveis de câmbio mais baixos. Ainda assim, o ambiente político segue no radar: desde a divulgação da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026, o dólar tem operado sob pressão adicional no Brasil.