A manutenção da taxa Selic em 15% pelo Comitê de Política Monetária na quarta-feira (10) levou o consultor de investimentos Luciano Claudino a detalhar como investidores podem organizar a carteira em um cenário de juros elevados. Segundo ele, o quadro reflete a desaceleração da atividade econômica e a atenção do Banco Central sobre a inflação, especialmente no setor de serviços, que segue pressionado.
De acordo com Claudino, decisões tomadas de forma precipitada podem gerar prejuízos. Como os juros permanecem altos por mais tempo, surgem oportunidades em determinados ativos, mas também aumenta o risco em aplicações mais sensíveis ao ciclo econômico.
No entendimento do consultor, a renda fixa volta a ocupar posição central na carteira de investimentos. Ele afirma que produtos pós-fixados atrelados ao CDI tendem a apresentar bom desempenho enquanto a Selic seguir elevada. Claudino acrescenta que outras classes de ativos podem compor o portfólio, mas com maior seletividade, principalmente para investidores focados no longo prazo.
O consultor também destaca que determinados produtos são beneficiados pelo ambiente de juros altos. Conforme explica, pós-fixados continuam relevantes, enquanto o crédito privado de boa qualidade pode oferecer retornos maiores, desde que o investidor avalie o risco de forma criteriosa. Ele aponta ainda que ativos com receitas indexadas costumam repassar a alta dos juros às suas próprias receitas. A orientação é separar aplicações que realmente geram renda de juros de produtos que embutem riscos elevados sob aparência de rentabilidade.
Claudino reforça que a diversificação internacional segue importante mesmo com a Selic em nível elevado. A proposta é reduzir a dependência do ciclo econômico doméstico, proteger a carteira contra oscilações cambiais e acessar setores indisponíveis no mercado brasileiro. Segundo ele, a entrada em ativos externos deve ocorrer aos poucos, sem expectativa de prever mudanças repentinas no câmbio.
O consultor afirma que o ambiente de juros altos costuma estimular o surgimento de ofertas que exigem atenção redobrada. Ele orienta o investidor a desconfiar de retornos muito acima da média, evitar compromissos de longo prazo sem compreender a marcação a mercado e manter distância de crédito de baixa qualidade, já que empresas endividadas ficam mais vulneráveis quando o custo do dinheiro sobe.
De acordo com Claudino, não é necessário esperar o início do ciclo de corte para investir. Ele avalia que a redução dos juros deve ocorrer apenas quando houver clareza sobre a convergência da inflação para a meta, com expectativas ancoradas e sem deterioração fiscal. Segundo o consultor, o movimento de queda tende a acontecer de forma gradual, possivelmente a partir de 2026. Ele acrescenta que investidores podem movimentar a carteira antes desse momento, desde que contem com orientação adequada.