Dólar ignora recuo global e sobe a R$ 5,46 com incertezas sobre 2026

Movimento eleitoral envolvendo Flávio Bolsonaro mantém câmbio estressado, enquanto corte de juros nos EUA favorece divisas globais
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O dólar voltou a subir diante do real nesta quarta-feira, em uma sessão marcada pela persistência do nervosismo político doméstico às vésperas das articulações para a eleição de 2026. Embora no exterior a moeda norte-americana tenha recuado após o Federal Reserve cortar sua taxa de juros, o câmbio brasileiro permaneceu pressionado ao longo de todo o dia. O dólar comercial terminou a sessão cotado a R$ 5,468 na compra e R$ 5,469 na venda. No turismo, as cotações fecharam a R$ 5,505 na compra e R$ 5,685 na venda.

Logo na abertura, o dólar chegou a ensaiar queda, acompanhando o viés negativo observado no exterior. No entanto, a cautela dos investidores com o cenário eleitoral brasileiro rapidamente devolveu força à moeda. Desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro — preso por tentativa de golpe de Estado — anunciou, na sexta-feira, apoio à candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro, o mercado tem reagido de forma adversa. A percepção predominante entre agentes financeiros é de que Flávio teria menos competitividade que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em eventual disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aumentando a incerteza sobre 2026.

Nesse ambiente, o dólar à vista chegou ao piso de R$ 5,4195 às 9h08, queda de 0,40%, mas rapidamente inverteu o sinal. A divisa avançou até R$ 5,4956 por volta das 12h39, alta de 1%, refletindo o desconforto do mercado com o cenário político. Mesmo após a decisão do Fed aliviar a moeda globalmente, o câmbio doméstico seguiu pressionado e a moeda encerrou o dia em alta.

Nos Estados Unidos, o banco central cortou os juros em 25 pontos-base, levando a taxa para a faixa de 3,50% a 3,75%, como já esperado pelos investidores. As projeções do comitê indicaram ainda a possibilidade de mais um corte em 2026 e outro em 2027, reforçando a visão de que o ciclo de flexibilização seguirá adiante. Apesar disso, a percepção de que o diferencial de juros entre Brasil e EUA continuará elevado segue como um dos principais fatores que têm limitado movimentos mais fortes do dólar no país.

À tarde, o Banco Central divulgou que o Brasil recebeu US$ 4,710 bilhões líquidos na semana passada, movimento puxado por ingressos de US$ 2,373 bilhões na conta financeira, que engloba investimentos diretos, aplicações estrangeiras em carteira, remessas de lucros e pagamentos de juros.

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