Dólar recua pela terceira vez seguida e fecha a R$ 5,33

Expectativa de corte de juros nos EUA segue impulsionando moedas emergentes
John Guccione
John Guccione

O dólar caiu pelo terceiro dia consecutivo frente ao real nesta quarta-feira, em um pregão marcado pelo bom desempenho dos ativos brasileiros e pela desvalorização da moeda norte-americana no exterior. A continuidade das apostas de que o Federal Reserve poderá cortar os juros em dezembro reforçou o movimento de fortalecimento das moedas de países emergentes, incluindo o real.

A cotação à vista encerrou o dia com queda de 0,79%, em R$ 5,3336 na venda. No acumulado do ano, a moeda passou a registrar desvalorização de 13,68%. No mercado futuro, o contrato para dezembro, que concentra a maior parte da liquidez, fechou com queda de 0,91%, a R$ 5,3360.

No câmbio comercial, o dólar terminou o dia negociado a R$ 5,336 na compra e na venda. No segmento de turismo, foi cotado a R$ 5,404 na compra e R$ 5,584 na venda.

A divulgação do IPCA-15 de novembro movimentou parte das avaliações do dia. O índice subiu 0,20%, resultado um pouco acima da mediana das expectativas da pesquisa Reuters, que projetava alta de 0,18%. Apesar da leve surpresa, o dado ainda reforça um cenário de inflação relativamente comportada no país.

No plano político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda. A ausência dos presidentes do Senado e da Câmara na cerimônia chamou atenção e alimentou comentários sobre ruídos entre Executivo e Legislativo.

Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho mostrou novo sinal de resiliência. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego recuaram para 216 mil na semana passada. Analistas afirmam que as políticas de comércio e imigração do presidente Donald Trump criaram um ambiente em que empresas mostram cautela tanto para demitir quanto para contratar, contribuindo para a estabilidade dos números.

Mesmo com indicadores mistos, a leitura predominante entre os investidores permaneceu a mesma: há chance relevante de que o Fed reduza os juros na reunião de dezembro, fator que continua pressionando o dólar globalmente e fortalecendo divisas emergentes como o real.

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