Dólar recua para R$ 5,37, seguindo exterior e renova perdas no ano

Mercado projeta 80% de chance de corte de juros nos EUA, enquanto dados alternativos indicam arrefecimento do mercado de trabalho norte-americano
Walter Campanato/Agência Brasil
Walter Campanato/Agência Brasil

O dólar voltou a cair no mercado brasileiro nesta terça-feira (25), acompanhando o movimento global de enfraquecimento da moeda norte-americana diante de praticamente todas as demais divisas. O ambiente externo mais favorável ao risco, impulsionado pelo avanço das apostas de que o Federal Reserve pode cortar juros já em dezembro, ajudou a derrubar as cotações ao longo do dia.

O dólar à vista recuou 0,35% e terminou a sessão cotado a R$5,3761 na venda, ampliando para 12,99% a queda acumulada no ano. No mercado futuro, o contrato de dezembro acompanhou o movimento e cedia 0,28% por volta das 17h03, negociado a R$5,3790 na B3. As referências do dólar comercial encerraram a R$5,379 para compra e R$5,380 para venda, enquanto o dólar turismo variou entre R$5,405 (compra) e R$5,585 (venda).

O avanço das apostas em flexibilização monetária nos Estados Unidos continuou sendo o principal motor dos mercados. Pela manhã, operadores precificavam 80,7% de probabilidade de um corte de 25 pontos-base na reunião de dezembro do Federal Reserve, contra 19,3% de chance de manutenção dos juros, segundo a ferramenta CME FedWatch. A taxa norte-americana segue na faixa de 3,75% a 4,00%, enquanto a Selic permanece em 15% ao ano, diferencial que segue favorecendo o fluxo para o Brasil e contribuindo para manter o dólar em patamar mais contido.

No cenário doméstico, o Banco Central divulgou que o déficit em transações correntes somou US$5,121 bilhões em outubro, pior que a expectativa de US$4,8 bilhões apurada em pesquisa da Reuters. Em 12 meses, o rombo atingiu 3,48% do PIB.

Já nos Estados Unidos, a escassez de dados oficiais causada pela paralisação parcial do governo tem levado investidores a buscar indicadores alternativos. Entre eles, os números da ADP mostraram novo enfraquecimento do mercado de trabalho: empresas privadas cortaram, em média, 13,5 mil vagas por semana no período de quatro semanas até esta terça-feira, acima do ritmo de demissões registrado anteriormente. Estatísticas mais completas, como o payroll, só devem voltar a ser divulgadas em dezembro.

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