A Braskem (BRKM5) registrou EBITDA recorrente de R$ 818 milhões no terceiro trimestre de 2025, segundo informações divulgadas pela companhia nesta terça-feira (11), em São Paulo. O resultado representa alta de 91% em comparação ao 2T25 e decorre, conforme a empresa, da priorização de vendas com maior valor agregado e da execução das iniciativas previstas no Programa Global de Resiliência e Transformação.
De acordo com Roberto Ramos, CEO da Braskem, “a Braskem permanece comprometida com a execução das iniciativas previstas em seu Programa Global de Resiliência e Transformação, com foco em superar os desafios estruturais da indústria petroquímica global e do setor químico nacional. Neste sentido, temos adotado medidas decisivas voltadas à geração sustentável de valor, com ênfase na maximização do EBITDA e na maior geração de caixa no curto e longo prazo”.
O trimestre seguiu marcado pela volatilidade econômica global e pelo ciclo de baixa da indústria, o que reduziu a demanda por produtos. Conforme a companhia, houve queda de 4%, 14% e 13% nos spreads internacionais de PE, PP e PVC, referência para Brasil e América do Sul, e recuo de 4% no spread de PP utilizado para Estados Unidos e Europa.
No Brasil e na América do Sul, a taxa média de utilização das centrais petroquímicas foi de 65%, abaixo do trimestre anterior devido à parada programada no Rio de Janeiro. As vendas internas de resinas recuaram 5% diante do avanço das importações de PE em julho e agosto e da menor demanda por PP. Em contrapartida, as vendas de químicos cresceram 11% no mercado doméstico e 10% nas exportações. Nesse cenário, o EBITDA da região atingiu R$ 1.115 milhões, alta de 29% em relação ao trimestre anterior, impulsionada pela priorização de produtos de maior valor agregado e por ações de resiliência.
Nos Estados Unidos e na Europa, a taxa de utilização avançou para 79%, apoiada pela recomposição de estoques nos EUA. O EBITDA recorrente das regiões ficou negativo em R$ 79 milhões, reflexo da menor demanda local. No México, a conclusão da primeira parada geral de manutenção da central petroquímica em julho impactou a taxa de utilização e a margem, resultando em EBITDA recorrente negativo de R$ 204 milhões.
A geração operacional de caixa no 3T25 foi negativa em R$ 334 milhões. Segundo a empresa, o resultado foi influenciado por maiores despesas de CAPEX e aumento de pagamentos a fornecedores, parcialmente compensados pela otimização dos níveis de estoque. A dívida bruta corporativa encerrou o trimestre em cerca de R$ 44,8 bilhões, com prazo médio de nove anos e 69% dos vencimentos a partir de 2030.
Ramos afirmou ainda que “a Braskem segue comprometida com disciplina financeira e execução do seu Programa de Resiliência e Transformação. É importante destacar que a indústria química brasileira apresentou um nível de ociosidade de 39% – recorde dos últimos 30 anos, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). Diante disso, é fundamental ressaltar a importância de uma agenda regulatória da Indústria Química Brasileira, com iniciativas como PL 892/25 e antidumping definitivo, de modo a fortalecer a competividade da indústria de forma justa”.