Auren tem prejuízo de R$ 403,7 milhões no 3T25 com impacto de cortes na geração

Controlada por Votorantim e CPP Investments reverte lucro e cita efeitos do cenário desafiador no setor elétrico
Divulgação/Auren
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A Auren Energia (AURE3) registrou prejuízo líquido de R$ 403,7 milhões no terceiro trimestre de 2025, revertendo o lucro de R$ 197,2 milhões obtido no mesmo período do ano anterior. Os resultados foram divulgados nesta quarta-feira (12) pela empresa, controlada por Votorantim e CPP Investments.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) atingiu R$ 664,3 milhões no trimestre, queda de 34,2% na comparação anual. No critério ajustado, que desconsidera efeitos como marcação a mercado de contratos de energia, o indicador totalizou R$ 772,7 milhões, recuo de 10,4%.

No acumulado dos primeiros nove meses de 2025, a Auren alcançou EBITDA ajustado de R$ 3 bilhões, crescimento de 22,3% em relação ao mesmo período de 2024. O EBITDA dos últimos doze meses somou R$ 3,8 bilhões, resultado que, segundo a companhia, reflete a consolidação da integração com a AES Brasil. A receita líquida atingiu R$ 9,4 bilhões, aumento de 22,5% em igual comparação.

O trimestre foi marcado pela conclusão da integração entre Auren e AES Brasil, finalizada em novembro de 2024. Desde a transação, as sinergias acumuladas somam R$ 212,1 milhões, com ganhos de R$ 58,1 milhões em Pessoas, Materiais, Serviços e Outros (PMSO). Conforme a empresa, os ativos eólicos incorporados apresentaram disponibilidade média de 93,3%, próxima à meta de 95% prevista para o fim de 2025.

O setor elétrico enfrentou um cenário de restrições de operação e curtailment elevado, afetando a geração de energia. A produção total da Auren foi 1,3% inferior ao mesmo período do ano anterior, somando 3,3 GW médios. O curtailment atingiu 20,7% para a fonte eólica e 33,1% para a solar, além de um Ajuste do Mecanismo de Realocação de Energia (GSF) de 65%. Ainda assim, a geração eólica potencial correspondeu a 107,4% do percentil 90 (P90) e 98,3% do P50 dos projetos certificados.

Segundo a Auren, a diversificação do portfólio contribuiu para reduzir parte dos impactos. Entre julho e setembro, ganhos de modulação da produção frente ao preço spot somaram R$ 66 milhões. A alavancagem encerrou o trimestre em 4,9 vezes dívida líquida sobre EBITDA ajustado, em linha com o plano de desalavancagem divulgado.

A companhia também acompanha os efeitos da Medida Provisória nº 1304/2025, aprovada em 30 de outubro, que trata do reembolso de cortes de geração por confiabilidade no Sistema Interligado Nacional e estabelece princípios para renovação de concessões de hidrelétricas. O texto ainda aguarda sanção presidencial.

“Os resultados deste trimestre refletem a consistência da nossa estratégia e o amadurecimento da companhia após a integração com a AES Brasil. A Auren segue em evolução, apresentando resultados consistentes associados a performance operacional e preparada para enfrentar os desafios do setor, mantendo o foco na geração de valor sustentável com disciplina, inovação e visão de longo prazo”, afirmou o CEO da Auren Energia, Fabio Zanfelice.

Em outubro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a indenização de R$ 498,8 milhões referente a investimentos prudentes realizados pela antiga CESP nas usinas de Jupiá, Ilha Solteira, Jaguari e Paraibuna. O valor ainda será atualizado e o cronograma de pagamento será definido pelo Ministério de Minas e Energia.

O vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores da Auren, Mateus Ferreira, disse que a companhia mantém perspectiva positiva para o setor. “Finalizamos o processo de integração com a AES com resultados sólidos, entregando mais que o dobro das sinergias de custo que havíamos anunciado no momento da aquisição e concluindo o liability management com um custo de dívida extremamente competitivo. Seguimos confiantes com o processo de desalavancagem ao longo dos próximos anos e com as perspectivas de geração de valor para os nossos acionistas de forma sustentável”, afirmou.

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