O Ibovespa encerrou esta sexta-feira (7) em nova máxima histórica, subindo 0,47%, aos 154.063,53 pontos, um avanço de 724,90 pontos. É o primeiro fechamento acima dos 154 mil pontos e o 13º pregão consecutivo de alta, feito que não se repetia desde junho de 1994, há 31 anos. Naquela ocasião, o índice também acumulou 13 sessões seguidas no azul.
O dólar comercial acompanhou o bom humor do mercado e recuou 0,22%, a R$ 5,336. Os juros futuros (DIs) oscilaram levemente, com tendência de alta nas pontas longas.
Um salto histórico
A última vez que a Bolsa brasileira havia registrado 13 pregões consecutivos de valorização foi em 3 de junho de 1994, quando o país ainda vivia o período de transição do cruzeiro real para o real, por meio da URV (Unidade Real de Valor). À época, o presidente era Itamar Franco, o ministro da Fazenda era Fernando Henrique Cardoso, que viria a se eleger presidente meses depois, e o Brasil ainda comemorava o tricampeonato mundial de futebol.
A inflação acumulada em 12 meses era de 4.922%, e o real sequer havia entrado em circulação. Hoje, a situação é diametralmente oposta: o país lida com uma inflação anualizada próxima de 4,5% e, segundo a XP Investimentos, deve ver cortes na taxa Selic apenas em março de 2026.
Deflação e indicadores econômicos
O cenário atual é marcado, inclusive, por leituras de deflação. O IGP-DI de outubro mostrou leve queda de 0,03%, menor do que a esperada pelo mercado, e o índice de preços ao produtor (IPP) do IBGE registrou a oitava deflação consecutiva em setembro. No acumulado de 12 meses, os preços “na porta da fábrica” recuam 0,40%.
Apesar dos desafios fiscais, o ambiente doméstico segue recebendo apoio do fluxo estrangeiro. O Brasil tem se beneficiado da entrada de capitais, em meio à correção das bolsas norte-americanas e à rotação global de investimentos.
Petrobras sustenta o rali
A principal força do pregão veio da Petrobras (PETR4), que subiu 3,77% após divulgar resultados do 3º trimestre de 2025 acima das expectativas. O desempenho da estatal foi determinante para sustentar o Ibovespa, compensando a queda de Vale (VALE3), que recuou 1,10% apesar de análises positivas sobre suas operações.
Entre os destaques corporativos, Alpargatas (ALPA4) disparou 10,94% após apresentar resultados sólidos em todas as frentes, enquanto Marfrig (MRFG3) avançou 5,86%, beneficiada pela reabertura do mercado chinês ao frango brasileiro.
Magazine Luiza (MGLU3) também subiu 1,88%, mesmo com crescimento mais moderado, enquanto Lojas Renner (LREN3) recuou 4,19% após balanço apontar desaceleração.
Perspectivas
Com o novo recorde e a sequência histórica de 13 altas, o Ibovespa acumula ganhos expressivos no ano, reforçando o otimismo dos investidores com o ambiente corporativo doméstico e a resiliência da economia. O desafio, agora, é saber se a série positiva encontrará força para continuar — ou se a realização dos lucros interromperá o rali da Bolsa brasileira.