Ibovespa renova recorde e fecha acima dos 150,7 mil pontos pela 10ª vez seguida

Expectativa por Copom e balanços mantém fluxo comprador e empurra índice a 150,7 mil pontos
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O Ibovespa mostrou força mais uma vez e encerrou esta terça-feira (4) em alta de 0,17%, aos 150.704,20 pontos, conquistando um novo recorde histórico de fechamento. O índice chegou a oscilar no negativo ao longo do dia, mas reagiu na reta final e ampliou a sequência positiva para dez pregões consecutivos — a mais longa desde julho de 2024.

Na máxima do dia, o Ibovespa alcançou 150.887,55 pontos, um novo pico intradiário. É o quinto pregão seguido em que o índice registra máxima histórica durante a sessão e o sétimo em que encerra em patamar recorde.

A recuperação da Bolsa veio apesar do cenário internacional mais cauteloso. O dólar comercial subiu 0,77%, a R$ 5,399, e os juros futuros voltaram a avançar em toda a curva, acompanhando o movimento externo.

Nova York no vermelho

Nos Estados Unidos, as bolsas encerraram em queda após alertas de executivos de grandes instituições financeiras sobre a possibilidade de uma correção significativa nos preços das ações nos próximos meses. Para os CEOs do Morgan Stanley e do Goldman Sachs, os lucros seguem sólidos, mas as avaliações de mercado estão elevadas.

Temor com a bolha de IA

O tom negativo foi reforçado pela realização de lucros nas ações ligadas à inteligência artificial, que vinham acumulando fortes ganhos. Papéis como Palantir, Nvidia e AMD recuaram, reacendendo temores de uma bolha no setor e puxando as bolsas europeias para o vermelho.

Expectativas com o Copom

No Brasil, a agenda econômica foi intensa. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo deve entregar o melhor resultado fiscal desde 2015, mas voltou a cobrar a queda dos juros. Segundo ele, “por mais pressão que os bancos façam sobre o Banco Central, os juros terão que cair”.

O mercado, porém, trabalha com a expectativa de manutenção da Selic na decisão do Copom desta quarta-feira (5), com atenção voltada ao comunicado da autoridade monetária e às pistas sobre os próximos passos da política de juros.

Entre os indicadores, a produção industrial de setembro recuou em relação a agosto, como já esperado. De acordo com o IBGE, o setor segue mostrando perda de ritmo, afetado pelo crédito mais caro e pela demanda fraca.

Balanços em destaque

A temporada de balanços corporativos também seguiu movimentando a B3. Embraer (EMBJ3) recuou 3,60% após divulgar lucro acima do esperado, mas sem revisar suas projeções para o ano. Klabin (KLBN11) avançou 2,95%, beneficiada pela forte geração de caixa no trimestre, enquanto BB Seguridade (BBSE3) subiu 1,20%, com resultado considerado positivo, embora analistas tenham questionado a sustentabilidade do crescimento futuro.

Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 0,30% antes da divulgação do balanço após o fechamento, mas o desempenho positivo de outros bancos ajudou o índice: Banco do Brasil (BBAS3) ganhou 0,86%, Bradesco (BBDC4) avançou 0,31% e Santander (SANB11) subiu 0,35%.

Entre as empresas ligadas a commodities, CSN (CSNA3) recuou 1,83% e CSN Mineração (CMIN3), 2,13%, à espera dos resultados do trimestre. Vale (VALE3) caiu 1,12%, acompanhando o recuo do minério de ferro na China, enquanto Petrobras (PETR4) subiu 0,50%, impulsionada pela expectativa de seu balanço, previsto ainda para esta semana.

Perspectivas

Mesmo em meio à aversão global a risco e ao clima de incerteza antes da decisão do Copom, o Ibovespa manteve o fôlego e segue acumulando novos recordes históricos, com o investidor doméstico mostrando resiliência frente à instabilidade lá fora.

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