Dólar sobe 0,77% e fecha a R$ 5,3991 com alta global e aversão ao risco nos mercados

Expectativas sobre correção nas bolsas americanas e indefinição sobre juros do Fed sustentaram a valorização da moeda.
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O dólar fechou em alta nesta terça-feira (4), acompanhando o fortalecimento global da moeda norte-americana em meio à aversão ao risco nos mercados financeiros. A preocupação de investidores com uma possível correção mais intensa nas bolsas dos Estados Unidos sustentou a demanda pelo dólar, que se aproximou novamente do patamar de R$ 5,40.

O dólar à vista subiu 0,77%, encerrando o dia cotado a R$ 5,3991. No acumulado do ano, a moeda registra queda de 12,62%. Na B3, o contrato futuro para dezembro — o mais negociado — avançou 0,70%, negociado a R$ 5,4325 às 17h03. Pela manhã, o Banco Central realizou a venda de 45 mil contratos de swap cambial tradicional, voltada à rolagem do vencimento de 1º de dezembro.

No câmbio comercial, o dólar foi comprado a R$ 5,398 e vendido a R$ 5,399. Já o dólar turismo encerrou o dia com compra a R$ 5,418 e venda a R$ 5,598.

De acordo com analistas, o movimento de valorização do dólar foi impulsionado pelo aumento da cautela global após declarações do presidente-executivo do Morgan Stanley, Ted Pick. Durante evento em Hong Kong, Pick mencionou a possibilidade de uma correção entre 10% e 15% nos preços das ações americanas, sem que isso necessariamente decorra de um colapso macroeconômico.

A declaração repercutiu negativamente nas bolsas da Europa e dos Estados Unidos, pressionando ativos de risco e fortalecendo o dólar frente à maioria das moedas, incluindo o real, o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano. No Brasil, o dólar atingiu a máxima intradia de R$ 5,4007 (+0,80%) às 9h35.

Segundo Luiz Fernando Gênova, superintendente de Tesouraria do Banco Daycoval, o movimento reflete uma correção natural após um período de otimismo nos mercados. “Vínhamos em uma toada mais favorável, com os ativos de risco performando super bem no último mês, puxados pelos ativos de tecnologia. Mas, depois do Fed, com a indefinição sobre os juros nos Estados Unidos, começamos a ter um gatilho mais intenso de correção”, afirmou.

No cenário doméstico, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em evento em São Paulo que, apesar da resistência do mercado, os juros no Brasil “vão ter que cair”. Segundo ele, “por mais pressão que os bancos façam sobre o Banco Central para não baixar juros, elas vão ter que cair”.

A declaração ocorre na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a noite de quarta-feira (5). O mercado espera que a Selic seja mantida em 15% ao ano, com atenção voltada ao comunicado para identificar possíveis sinais sobre o início de um ciclo de cortes.

Embora a taxa básica esteja em nível elevado, analistas apontam que o diferencial em relação aos juros dos Estados Unidos — que vêm sendo reduzidos nas últimas reuniões do Federal Reserve — continua favorecendo a entrada de capital estrangeiro no país, o que tende a conter pressões de alta mais intensas sobre o dólar.

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